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Petrobrás pode ter de antecipar produção

Fernanda Nunes - O Estado de S. Paulo

25 Junho 2014 | 21h 40

Medida é apontada como solução para que estatal gere caixa para arcar com os R$ 15 bilhões que deverá pagar por quatro áreas do pré-sal

RIO -  A Petrobrás deve antecipar a produção de áreas no pré-sal e no pós-sal para exportar petróleo e, assim, tentar gerar receitas adicionais nos próximos anos, apostam os especialistas. 

A medida seria uma solução à necessidade premente de conseguir recursos e arcar com os R$ 15 bilhões que deverá a estatal pagar por quatro áreas no pré-sal de Santos - Búzios, Entorno de Iara, Florim e Nordeste de Tupi -, além do total que será necessário para a instalação de plataformas e infraestrutura logística de escoamento da produção.

“Não existe outra saída”, avaliou Pedro Galdi, da Corretora SLW, já que, em sua opinião, um aumento de capital seria mal recebido pelos acionistas e teria repercussões negativas no mercado financeiro.

No curto prazo, disse Galdi, o pagamento de R$ 2 bilhões neste ano como bônus de assinatura terá pouco efeito sobre o endividamento da empresa. “A Petrobrás tem geração de caixa e vai ter mais. Daria para pagar pelas áreas, mas o momento não é favorável”, disse ele, referindo-se aos R$ 10 bilhões que a companhia registrou em caixa no primeiro trimestre deste ano, livres para serem gastos. A grande preocupação é com o endividamento no médio prazo, por causa do plano de investimento de US$ 220,6 bilhões, com o qual a estatal está comprometida até 2018, avalia.

Comparação. Levantamento feito em relatórios financeiros de grandes petroleiras e reunidos pela colombiana Ecopetrol aponta que a relação da dívida total da Petrobrás comparada à geração de caixa é muito maior do que a de outras companhias. No caso da americana Exxon, por exemplo, a relação é de 0,4 vez; da Shell, de 0,9 vez; enquanto a da Petrobrás é de 4,1 vezes. A medida calcula a capacidade de pagamento da dívida - a Petrobrás precisa gastar 4,1 vezes seu caixa se quiser pagar toda a dívida de uma vez.

Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura, ressaltou ainda que o aumento dos preços dos combustíveis, uma das opções levantadas pela presidente da estatal, Graça Foster, para financiar os investimentos não seria suficiente. Pelas suas contas, para isso, o governo deveria reajustar a gasolina em 30%. “Toda petroleira estatal usa os preços dos combustíveis como instrumento de política e a exportação de petróleo como fonte de lucro.”

Graça anunciou nesta quarta-feira, 25, que a petroleira pretende aproveitar as condições favoráveis do barril do petróleo e do câmbio, o que, segundo Pires, reforça a hipótese de que a estatal tem interesse em atuar mais no mercado internacional.

Neste ano, a Petrobrás já conseguiu ampliar a exportação de petróleo em 20,1% de janeiro a abril, comparado a igual período do ano passado, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). 

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