Petróleo de Tupi poderá ser explorado com preço até US$ 35

Segundo especialista, Petrobras tem feito avanços para reduzir o custo de exploração no megacampo

Kelly Lima, da Agência Estado,

02 Janeiro 2008 | 14h39

O petróleo que está abaixo da camada de sal na Bacia de Santos pode ser viabilizado comercialmente mesmo que o preço do barril caia a até hipotéticos US$ 35, informou um executivo da Petrobras, que tem participado diretamente do avanço tecnológico para promover a exploração da área de Tupi, mas prefere não ser identificado.   Veja também: A maior jazida de petróleo do País    "Muito se fala do custo elevado para produzir o óleo naquela profundidade, mas estamos avançando consideravelmente em tecnologia para superar o desafio e viabilizar esta produção em escala comercial", disse o executivo, lembrando os sete mil metros que separam a superfície marítima da área em que foram encontradas as acumulações de petróleo na área.   Segundo este executivo, o custo atual do barril, na casa dos US$ 90 é perfeitamente viável para a produção, mas "ninguém apostaria num projeto que exigisse a manutenção desse patamar".   Segundo geólogos consultados pela Agência Estado, dificilmente o custo de extração na área ficaria abaixo dos US$ 20, ante uma média de US$ 7 hoje empregados para a exploração no País. Em seu plano de investimentos para até 2020, a estatal aponta premissas de preço para o barril, de US$ 35, como base para a sustentação dos seus projetos e, segundo o executivo, deve manter este valor após a descoberta de Tupi, onde podem estar localizados entre cinco bilhões e oito bilhões de barris por dia.   Pão de Açúcar   A área de Tupi, porém, pode deixar de ser o filé mignon da estatal se forem confirmados os estudos detalhados que os técnicos da empresa estão fazendo sobre outros poços perfurados na área em torno deste bloco. O executivo da empresa não quis falar em números redondos, mas admitiu que a acumulação que vem sendo chamada de Pão de Açúcar, e engloba outros três blocos concedidos na segunda e terceira rodada da Agência Nacional do Petróleo (ANP) podem superar até as mais otimistas perspectivas de multiplicar as reservas nacionais de óleo, hoje na casa dos 13 bilhões de barris.   "Temos sete poços perfurados na região, dos quais apenas três tiveram seus dados divulgados. Ainda têm boas novidades por sair nos próximos meses, quando as análises dos dados estiverem concluídas", comentou.   Segundo relatório divulgado pelo analista Emerson Leite, do Credit Suisse no último dia 21 de dezembro, apenas para a área do chamado Pão de Açúcar, que também recebe o nome de Carioca, é estimado pelo analista um potencial que varia entre 12 bilhões a 24 bilhões de barris. A acumulação está localizada na área dos blocos BM-S-8, BM-S-9, BM-S-21 e BM-S-22. A Petrobras detém a operação em todas essas áreas, em parceria com a Galp, Repsol, BG, Exxon e Amerada Hess.   Caso seja confirmado que estes blocos possuem acumulações contínuas e ligadas a Tupi, o governo brasileiro teria que unificar estas reservas, colocando ainda os blocos BM-S-10 e BM-S-24, o que incluiria ainda a portuguesa Partex entre os parceiros da Petrobras a receberem uma participação porcentual no campo todo.   "Esta é uma possibilidade real, porque os dados sísmicos apontam para uma mesma mancha existente em toda a extensão desta área. Isso faria com que todos os investidores que detém a concessão de um bloco, tornassem parceiros em comum. Quem não quiser investir abaixo da camada pré-sal pelo elevado risco ou custo alto, poderá deixar a concessão", explicou o executivo da Petrobras.   De acordo com o relatório do Credit Suisse, considerando o potencial mais otimista para as reservas abaixo da camada pré-sal na Bacia de Santos, incluindo Tupi e Carioca (ou Pão-de-Açúcar), a estimativa é de atingir a um volume de 46,5 bilhões de barris de óleo leve na área. "E nós consideramos estas estimativas bastante conservadoras", ressalva o analista em seu relatório, lembrando que as perspectivas exploratórias da camada pré-sal ainda podem se estender para blocos na Bacia de Campos e Bacia do Espírito Santo.

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