GERSON OLIVEIRA/CORREIO DO ESTADO
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Petros decide vender sua fatia na Eldorado

Fundo de pensão da Petrobrás deve levantar cerca de R$ 650 milhões; outros sócios minoritários também vão sair

Mônica Scaramuzzo, Impresso

14 Outubro 2017 | 05h00

O fundo de pensão da Petrobrás (Petros) também decidiu vender sua participação na companhia de celulose Eldorado Brasil, da holding J&F, dos irmãos Batista, para a multinacional Paper Excellence. O conselho deliberativo do Petros aprovou, na quarta-feira, a venda da fatia de 24,75% no FIP Florestal, que corresponde a uma participação indireta de 8,53% no capital da Eldorado.

Na semana passada, o fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal (Funcef) já tinha se manifestado por exercer o direito de venda de sua fatia no negócio. Já a Petros tinha pedido mais prazo para avaliar se participaria ou não do direito de “tag along” (instrumento que permite que o acionista minoritário possa vender sua participação nas mesmas condições oferecidas ao controlador, no caso o grupo J&F).

Com a decisão de venda, os dois fundos de pensão, que têm a mesma participação na Eldorado, deixarão a companhia fundada pela família Batista, também dona da JBS.

Em nota, a Petros informou que realizou um amplo processo de avaliação interna e externa do ativo e, por isso, solicitou à Paper Excellence extensão do prazo para responder ao exercício do direito de “tag along”.

“Esse trabalho foi importante para balizar a decisão e identificar se as condições contratuais e o valor obtido com a venda estavam em linha com o investimento inicial no ativo, ajustado pela meta atuarial. Todo esse estudo foi submetido ao Comitê de Investimentos e ao Conselho Deliberativo da Petros”, disse o presidente do fundo, Walter Mendes, em comunicado. Procurada, a J&F não comentou o assunto.

No total, a Petros investiu na empresa R$ 272,25 milhões no FIP Florestal, em dois aportes entre 2009 e 2010. Esse valor ajustado ficaria em torno de R$ 650 milhões. A Funcef também deverá receber o mesmo valor. A decisão de saída da Petros foi bem recebida na J&F, segundo fontes.

Venda. A intenção da Paper Excellence, que pertence à família indonésia Widjaja, dona da Asia Pulp & Paper, é deter 100% das ações. A empresa foi avaliada em R$ 15 bilhões, incluindo dívida de R$ 7,4 bilhões. No dia 25 de setembro, a J&F finalizou a venda da Eldorado para a Paper Excellence. O negócio havia sido acertado no início do mês. Apesar da insegurança que a prisão dos dois irmãos trouxe, a Paper Excellence decidiu seguir com a operação.

A multinacional fez o pagamento da primeira parcela ao grupo J&F – um depósito de R$ 1 bilhão para garantir 13% do negócio. A intenção é concluir a compra em 12 meses.

Fontes a par do assunto afirmaram que a Paper Excellence já entrou em contato com dois bancos chineses interessados em montar uma estrutura financeira para bancar a aquisição.

Outro acionista minoritário, o presidente da Eldorado, José Carlos Grubisich, também venderá sua participação de 1,96%. Grubisich anunciou ao mercado, no mês passado, que sairá da companhia até 28 de novembro. O executivo Rodrigo Libaber é apontado como sucessor de Grubisich. Fontes próximas à companhia afirmaram, contudo, que a Paper Excellence deverá, depois de assumir o negócio, indicar um nome de confiança.

Delações e prisão. Em maio, vieram à tona as delações dos Batistas, que comprometeram o presidente da República, Michel Temer. Desde então, o grupo passou a vender vários ativos para bancar o acordo de leniência fechado com o Ministério Público Federal, de R$ 10,3 bilhões. Em setembro, com a prisão de Joesley e Wesley Batista, o pai dos empresários, José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, de 84 anos, voltou ao comando do grupo.

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