Reuters/Joe Skipper
Reuters/Joe Skipper

PF deflagra segunda fase de operação contra fraudes em financiamento agrícola no BB

Foram analisadas 149 operações de financiamentos agrícolas, 13 de outras modalidades e 90% haviam sido fraudadas, de acordo com a PF

Gustavo Porto e Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2017 | 08h23

RIBEIRÃO PRETO E BRASÍLIA - A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira, 31, a segunda fase da operação Turbocred, para combater o desvio de verbas públicas por meio de fraudes em financiamentos agrícolas no Banco do Brasil entre 2012 e 2015. São cumpridos 39 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Espírito Santo e Goiás. Policiais foram deslocados às residências de tomadores de empréstimos considerados "fraudulentos", funcionários e ex-funcionários do Banco do Brasil, e de pessoas que atuaram como "laranjas" nas fraudes.

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A segunda fase da operação Turbocred decorre da análise da documentação apreendida em agências do Banco do Brasil durante a primeira fase, em 17 de maio do ano passado. Foram analisadas 149 operações de financiamentos agrícolas, 13 de outras modalidades e 90% haviam sido fraudadas, de acordo com a PF.

Entre os tipos de fraude apurados no inquérito estão a obtenção de financiamentos para custear atividade agrícola em imóvel próprio, mas usado em imóvel arrendado a terceiros; falsificação de carta de arrendamento para empréstimos de atividade agrícola fictícia e a tomada de sucessivos financiamentos para diversos empreendimentos agrícolas, sem capacidade financeira. 

A PF informou que as investigações apontam pagamento de propina a funcionários do Banco do Brasil para a obtenção de financiamentos por meio de contas-correntes em nome de "laranjas". "Os investigados responderão, na medida de suas participações, por crimes de gestão fraudulenta e gestão temerária de instituição financeira, aplicação de recursos de financiamento em finalidade diversa, previstos na lei de crimes financeiros, além de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e associação criminosa, com penas de um a 12 anos de prisão", informa a PF. 

Maggi. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, evitou nesta terça-feira comentar a segunda fase da Operação Turbocred. "Não vi, não sei. Nem sabia, não tive tempo de ver a imprensa hoje", afirmou o ministro em rápida entrevista na Câmara, antes de participar de audiência pública na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, na qual falará sobre os desdobramentos da Operação Carne Fraca.

O ministro da Agricultura também evitou comentar sobre a possibilidade de o governo rever portaria do Ministério do Trabalho que, na avaliação de especialistas, dificulta a caracterização do trabalho escravo. "Deixa o governo resolver. Não vou dar opinião, não é minha área", declarou.

Maggi ressaltou, porém, que é favorável à portaria da forma como foi publicada. "Acho que ela regulamentou, tirou uma série de preocupações que havia no campo. Agora, se não estão satisfeitos, podem mudar. Mas tem de tentar ajustar essas coisas. Está muito ruim no campo", disse.

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Banco do Brasil. O Banco do Brasil (BB) informou por meio da assessoria de comunicação que "colabora com as investigações" da Polícia Federal (PF) no âmbito da segunda fase da operação Turbocred. 

"Os investigados responderão, na medida de suas participações, por crimes de gestão fraudulenta e gestão temerária de instituição financeira, aplicação de recursos de financiamento em finalidade diversa, previstos na lei de crimes financeiros, além de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e associação criminosa, com penas de um a 12 anos de prisão", informou a PF.

 

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