Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

PF faz busca e apreensão em duas casas de Eike Batista

Operação apreendeu seis carros, R$ 127 mil, computadores, celulares e relógios; Justiça decidiu bloquear R$ 3 bi do patrimônio de Eike

Mariana Sallowicz, O Estado de S. Paulo

06 Fevereiro 2015 | 11h52

Atualizado às 17h55 

A Polícia Federal no Rio de Janeiro corrigiu a lista e deu mais detalhes dos bens apreendidos em ação de busca e apreensão na casa do empresário Eike Batista nesta sexta-feira. Inicialmente foi divulgado que eram sete veículos, mas foram apreendidos seis carros na ação, sendo dois de luxo, um compacto e três utilitários. Além dos R$ 90 mil declarados mais cedo, também foram retidos outros R$ 37 mil em outras moedas, num total de R$ 127 mil.

A lista inclui ainda 16 relógios, dois motores para lancha, um computador, um piano, uma escultura, um telefone celular e um ovo Fabergé, peça fabricada na Rússia.

Os agentes chegaram à residência de Eike, no bairro do Jardim Botânico, na zona sul do Rio de Janeiro, por volta das 6h. O empresário estava no local e acionou alguns de seus advogados. Os criminalistas Ary Bergher e Raphael Mattos acompanharam a ação da polícia. Em torno das 10h, os policiais deixaram a casa de Eike.

Entre os carros, há um Porsche Cayenne branco e um Lamborghini Aventator LP700-4, na mesma cor. Esse segundo veículo, modelo 2012, enfeitava a sala da casa de Eike. Esse modelo de Lamborghini custa, em média, R$ 2,5 milhões, de acordo com a tabela Fipe.

Os mandados foram expedidos pelo juiz titular da 3ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, Flávio Roberto de Souza, como parte da decisão de bloquear ativos financeiros e bens móveis e imóveis de Eike e seus familiares, no valor de R$ 3 bilhões.

Um dos advogados do empresário, Darwin Corrêa, do escritório Paulo Cezar Pinheiro Carneiro (PCPC), afirmou que a defesa irá recorrer da ação de bloqueio de bens. "Conseguimos hoje uma liminar do mandado de segurança. Agora, tivemos acesso aos autos e poderemos apresentar a defesa", afirmou ele, acrescentando que a ação está em segredo de Justiça. Para Corrêa, trata-se de uma ação autoritária, sem qualquer fundamento.

Na quinta-feira, Souza, afirmou ao Broadcast que uma das justificativas para o bloqueio foi o fato de o empresário, em meio à crise que atingiu suas companhias, ter feito doações a seus parentes. Segundo o juiz, Eike doou seis imóveis em 2013 aos parentes, além de montantes em dinheiro. Somente Thor, filho mais velho de Eike, recebeu R$ 137 milhões. O bloqueio atinge Eike, dois filhos dele, Thor e Olin, a mulher Flávia Sampaio e a ex-mulher Luma de Oliveira.

A Justiça do Rio determinou o bloqueio no mês passado, medida que foi cumprida no início desta semana. No ano passado, já tinham sido bloqueados R$ 239 milhões, mas o valor foi agora ampliado e a ação estendida aos familiares do empresário.

Inicialmente, Eike respondia a um processo, com duas acusações: manipulação de mercado e uso de informação privilegiada. Segundo o juiz Souza, outros processos, vindos de São Paulo, estão sendo unificados, com outras três acusações: falsidade ideológica, formação de quadrilha e indução do investidor ao erro. O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro (MPF-RJ) deve entregar as denúncias no próximo dia 11.

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