PIB cresce só 0,1% no 3º trimestre, mas dá sinais de retomada mais consistente

PIB cresce só 0,1% no 3º trimestre, mas dá sinais de retomada mais consistente

IBGE revisou para cima o desempenho da economia no primeiro e no segundo trimestres; com isso, analistas refizeram suas projeções para o ano e agora já falam em alta até superior a 1%, com crescimento baseado principalmente no consumo

O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2017 | 09h01
Atualizado 01 Dezembro 2017 | 22h38

RIO E SÃO PAULO – A economia brasileira registrou no terceiro trimestre sua terceira alta seguida. Entre julho e setembro, o produto interno bruto (PIB) cresceu 0,1%. Apesar de modesto, o número foi bem recebido pelo mercado.

Um dos motivos do otimismo é que o IBGE revisou os números do primeiro e do segundo trimestres e concluiu que a economia cresceu mais que o anunciado anteriormente. Dessa forma, entre janeiro e março, o PIB passou de 1% para 1,3% de alta. Entre abril e junho, foi de 0,2% para 0,7%.

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Além disso, alguns indicadores sinalizam que a retomada do crescimento começa a ganhar consistência. No terceiro trimestre, os investimentos, por exemplo, registraram a primeira alta (1,6%) ante o trimestre anterior, após 15 quedas seguidas.

O consumo das famílias, impulsionado pela melhora no mercado de trabalho, entre outros fatores, repetiu o ritmo de crescimento (1,2%) do segundo trimestre. Com esse cenário, o mercado já fala em alta do PIB no ano até superior a 1%.

“O índice de difusão do PIB, que calcula quantos segmentos cresceram, tem acelerado nos últimos trimestres e hoje quase 80% dos diversos segmentos estão crescendo, número semelhante ao que se tinha antes da crise”, disse o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. Na comparação com o terceiro trimestre de 2016, a alta foi de 1,4%, melhor desempenho desde o início de 2014.

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No acumulado de janeiro a setembro, a economia cresceu 0,6%, número comemorado pelo governo. “Esse número já supera a previsão inicial dos economistas para 2017”, disse o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. De fato, em janeiro, a projeção dos analistas ouvidos no Boletim Focus, do Banco Central, era de crescimento de 0,5% no ano.

Pesquisa feita ontem pelo Projeções Broadcast com analistas de mercado aponta agora para um crescimento de 1% no ano, na média – em setembro, essa média estava em 0,6%.

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A perda de ritmo de crescimento ao longo do ano (de 1,3% para 0,7% e, agora, 0,1%) se deveu em grande parte ao desempenho da agropecuária, cujo avanço foi concentrado no primeiro semestre – no terceiro trimestre, caiu 3%. Isso ocorre porque as principais safras do País, como soja e milho, são colhidas na primeira metade do ano.

Mas, no acumulado de 2017, a agropecuária continua como o grande destaque, ressaltou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Para a economista Monica de Bolle, a economia pode mesmo ganhar alguma tração agora, mas há fatores que devem limitar isso. “Os ruídos políticos nem começaram. Não sabemos ainda o tamanho da disputa eleitoral (de 2018) e não temos noção do seu impacto sobre a economia.” / DANIELA AMORIM, DENISE LUNA, VINICIUS NEDER, CÉLIA FROUFE, FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, KARLA SPOTORNO, MARIA REGINA SILVA E EDUARDO RODRIGUES

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