PIB crescerá 2,8% em 2018, avaliam analistas da FGV

Tanto em 2017 como em 2018 os números serão influenciados pelo comportamento do setor agropecuário

O Estado de S.Paulo

26 Dezembro 2017 | 05h00

As incertezas políticas previstas para o ano eleitoral não impedirão que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 2,8% em 2018, acima da alta de 1% estimada para 2017, segundo o Boletim Macro Ibre, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Mas, dada a gravidade do quadro fiscal, a esperança é que “os candidatos se posicionem sobre a necessidade de um ajuste fiscal perene, com reformas profundas na forma de funcionamento do Estado brasileiro”, afirmam os economistas Armando Castelar Pinheiro, Silvia Matos e Julio Mereb.

Tanto em 2017 como em 2018 os números serão influenciados pelo comportamento do setor agropecuário, cujo resultado foi excepcional no primeiro trimestre deste ano. Depois disso o PIB agropecuário oscilou muito. O modesto crescimento do PIB total de 0,1% na passagem do segundo para o terceiro trimestre “mascara o desempenho bastante positivo que a economia brasileira apresentou no período”, segundo a FGV.

Excluindo o agronegócio, o crescimento do PIB em 2017 é estimado em apenas 0,4%. Em 2018, excluído o agronegócio, o crescimento do PIB deverá atingir 3% e será generalizado, passando por serviços e consumo das famílias mais do que por investimentos, que exigem um ambiente mais favorável para ganhar ritmo.

A recuperação da economia internacional ajudou muito o Brasil em 2017 e deverá continuar ajudando em 2018. O Brasil precisa aproveitar essa janela de oportunidade, alertam os responsáveis pelo boletim.

Nas projeções para 2018, taxas de crescimento fortes são esperadas da importação (6,3%), da exportação (5,8%) e do consumo das famílias (3,1%). O investimento deverá crescer 3,9% a partir de uma base baixa, pois caiu estimados 2,6% em 2017.

A indústria de transformação deverá crescer 5,3% e será o ponto mais forte do avanço do PIB previsto para 2018. Já a construção civil deverá crescer apenas 1,1%, alta que nem de longe compensa a queda de 5,3% estimada para 2017. O mercado de trabalho continuará melhorando e o índice de desemprego deverá cair de 12,2%, em outubro passado, para 11,5% no final de 2018. É prevista a abertura de meio milhão de vagas formais.

A retomada de 2018 parece garantida, mas sua preservação dependerá do avanço das reformas e do compromisso fiscal do futuro governo.

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