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PIB só deve retomar patamar de 2014 em 2021, dizem analistas

Avaliação é de que, como os anos 80 ficaram conhecidos como década perdida, esta poderá ser a ‘década desperdiçada'

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O Estado de S. Paulo

04 Março 2016 | 05h00

Após a forte recessão de 2015 e com as projeções de baixo crescimento para os próximos anos, o Produto Interno Bruto (PIB) só deve retomar o patamar de 2014 - o melhor desempenho nominal da história - em 2021. Os cálculos foram feitos por economistas a pedido do Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Os especialistas entendem que, a exemplo dos anos 80, que ficaram conhecidos no Brasil como a década perdida, os anos 2010 podem entrar para a história como a “década desperdiçada”.

Uma das projeções considera dados da pesquisa Focus, do Banco Central, para o crescimento de 2016 a 2019, que é o período mais longo disponível. Para 2020 e 2021, foi estimado um crescimento de 2,0%. Esse cálculo foi feito pelo economista da NeoValue Investimentos Alexandre Cabral, que observa que a queda de 3,8% em 2015 fez o PIB voltar 1.402 dias para trás, ou seja, a fevereiro de 2012.

O economista da RC Consultores Thiago Biscuola tem contas semelhantes. A diferença é que ele considera as próprias projeções para a economia e usa o chamado “PIB nível” no cálculo, mas o prazo para a retomada, em 2021, é o mesmo. “Isso denota o tamanho do buraco em que nos metemos. Os anos 80 foram chamados de década perdida, mas naquela época houve uma crise da dívida, um choque externo muito forte. Agora vamos ter uma década desperdiçada, porque o mundo pode não estar tão bem assim, mas está crescendo, e nós estamos ficando para trás.”

Os analistas apontam que, comparando o PIB projetado atualmente para 2020 com aquele que o Brasil teria se tivesse crescido perto do potencial, de 2,5%, desde 2011, a economia brasileira perderá quase R$ 1 trilhão. Em termos de PIB per capita, o economista da Brasil e Investimentos & Negócios André Sacconato estima que, no fim deste ano, o indicador terá voltado para os níveis de 2003. “O problema são os vários anos de pequenas quedas ou variações perto de zero do PIB e a forte queda no ano passado.”

O economista-chefe da BNP Asset, Eduardo Yuki, observa que desde o primeiro trimestre de 2014 a economia brasileira já acumula uma retração de 7,2%. “A demanda doméstica medida pelo consumo das famílias, do governo e os investimentos, tem queda de mais de 9% nesse período, voltando aos patamares de 2010.” No cenário da instituição, a economia deve amargar três anos seguidos de PIB negativo. A expectativa para 2016 é de queda de 4,5% e para 2017, 0,5%, previsão que, no entanto, será revisada para baixo.

O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, prevê queda de 3,8% no PIB deste ano, mas explica que a projeção contempla melhora do atual impasse político e “alguma solução que envolva a saída da presidente Dilma Rousseff”, seja por meio do impeachment ou da cassação da chapa pelo Tribunal Superior Eleitoral. “Com a Dilma no poder, o recuo no PIB pode chegar a 4,9%.”

Para o presidente do Conselho Federal de Economia, Júlio Miragaya, a economia pode ficar estável em 2017, se houver ajustes na política econômica. / ÁLVARO CAMPOS, MARIA REGINA SILVA, DENISE ABARCA, MARIO BRAGA, FRANCISCO CARLOS DE ASSIS E RICARDO LEOPOLDO 

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