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Piora a qualidade do emprego com carteira

O Estado de S.Paulo

27 Junho 2014 | 02h 04

O mês passado foi não só o pior para a geração de empregos com carteira assinada em 22 anos, como as vagas abertas se concentraram em segmentos nos quais é menor a remuneração do pessoal. Dos 58,8 mil postos abertos em maio, 11,8 mil (20%) estavam em serviços de alojamento e alimentação - ou seja, em hotéis, restaurantes e bares que contrataram pessoal, em geral temporário para atender os turistas que vieram ao Brasil assistir aos jogos da Copa do Mundo.

Simultaneamente, a indústria de transformação cortou 28,5 mil vagas mais bem remuneradas. O resultado, segundo análise da consultoria LCA dos dados compilados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), é que o salário de admissão avançou apenas 0,2% entre maio de 2013 e maio de 2014, em termos reais. Para comparar, em dezembro de 2013, o salário médio de admissão cresceu 4,1% reais em relação a dezembro de 2012. Neste ano, caiu sem interrupção desde janeiro.

A qualidade dos empregos também piorou na região da Grande São Paulo, na avaliação da Fundação Seade e do Dieese: 96 mil trabalhadores com carteira assinada (1,8% do total) deixaram a atividade, enquanto 7 mil autônomos ingressavam no mercado de trabalho. "Os últimos dois meses foram ruins em termos de qualidade da ocupação", disse ao serviço online Broadcast o coordenador da pesquisa da Seade na região metropolitana de São Paulo, Alexandre Loloian.

Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do MTE, merecem reflexão: com exceção do comércio, que cortou 825 vagas, em maio, os demais setores de atividade - agropecuária, construção civil, administração pública, serviços de utilidade pública e extrativa mineral - contrataram mais do que despediram. Mas os números absolutos, tanto mensais como deste ano e dos últimos 12 meses, são pouco animadores. Na indústria extrativa mineral, apenas 55 vagas foram abertas em maio.

No Brasil, somente 543 mil vagas com carteira foram abertas neste ano - e 867 mil nos últimos 12 meses. Números baixos, se comparados a 2010, quando foram criados 2,5 milhões de empregos, e 2011, com um total de 1,9 milhão.

O aumento do emprego formal é positivo para os trabalhadores, para a economia e para a arrecadação do INSS, ajudando a reduzir a diferença entre despesas e receitas, de 0,9% do PIB em abril. A perda de ritmo das contratações, porém, afetará negativamente as contas fiscais.

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