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Celso Ming

Plano carunchado

Os números da revisão do Plano de Negócios da Petrobrás não passam firmeza; E isso é ruim, porque deixam a ideia de que há enrolação

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Celso Ming

12 Janeiro 2016 | 21h00

Nesta terça-feira, a Petrobrás anunciou mais uma revisão do seu Plano de Negócios e Gestão 2015-2019 destinado a ajustar suas operações às novas condições do mercado. Mas as mudanças estão montadas sobre números irreais e isso caruncha as conclusões.

O novo Plano prevê ligeira diminuição da produção neste ano para 2,145 milhões de barris diários. A meta para 2020 também fica mais baixa, em 2,7 milhões de barris diários. Por falta de recursos, os investimentos deste ano, que estavam orçados em US$ 27 bilhões, já haviam sido reduzidos em outubro para US$ 20 bilhões.

As bases dessa revisão são irrealistas na medida em que levam em conta o preço médio do petróleo tipo Brent neste ano a US$ 45 (ontem fechou a US$ 30,86). A percepção dessa falta de objetividade foi a senha para nova derrubada dos preços das ações na Bolsa, que ontem desabaram mais de 9%.

Por que o Conselho de Administração se fixou nesse número, os tais US$ 45 por barril, que está fora dos radares? É uma história mal explicada. Há anos, a diretoria da Petrobrás vem afirmando que seu ponto de equilíbrio (break-even point) se situa em preços ao redor dos US$ 45 por barril. Em outubro, o presidente da nova estatal PPSA, Oswaldo Pedrosa, avisava que o ponto de equilíbrio estava então mais alto, em US$ 55 por barril. Quando os preços internacionais caem abaixo desse nível, como agora, os custos ficam mais altos do que as receitas a serem obtidas com vendas a US$ 45 por barril.

No caso, essa conta fica mais complicada porque as receitas da Petrobrás no mercado interno estão muito mais altas do que as que vigoram no mercado internacional. Os preços do óleo diesel, por exemplo, estão cerca de 40% mais altos no Brasil do que lá fora. O que hoje a Petrobrás quer evitar a qualquer custo é a redução dos preços internos.

De todo modo, é em torno desses US$ 45 por barril que está montado o Plano de Negócios da empresa. Se o Conselho revisse também esse ponto de equilíbrio, colocaria em dúvida toda a estratégia de atuação da estatal.

À medida que as cotações internacionais do petróleo foram deslizando, a diretoria da Petrobrás deixou de se apegar aos tais US$ 45. Passou a realçar, como agora, que, graças ao aumento de produtividade, o custo de extração de petróleo no pré-sal é de apenas US$ 8 por barril. Mas nesse cálculo só entram as despesas com operação de plataformas e do escoamento do produto. Não estão os investimentos em exploração, compra de sondas, plataformas, transporte, oleodutos, etc., nem as despesas com royalties e participações especiais.

Os preços do petróleo já rondam os US$ 30 por barril (veja o gráfico) e especialistas do Goldman Sachs, Citigroup e Bank of America já trabalham com perspectivas a curto prazo de US$ 20 por barril. Por trás desse mergulho, estão o excesso de produção, a perspectiva do despejo imediato de mais 2 milhões de barris diários em consequência da volta do petróleo iraniano ao mercado e a forte desaceleração da economia da China, grande consumidor mundial.

Assim, os números da Petrobrás não passam firmeza. E isso é ruim, porque deixam a ideia de que há enrolação.

CONFIRA:

Aí estão as novas projeções das safras agrícolas deste ano.

No positivo

Desta vez, o IBGE e a Conab praticamente empataram na previsão da safra de grãos para este ano: 210 milhões de toneladas. Para o IBGE, o aumento de produção será de 0,5% e para a Conab, de 1,4%. Apesar da seca no Nordeste, o aumento da produção vai-se confirmando. No entanto, os preços internacionais continuam em queda, o que reflete a baixa geral das commodities. Como se sabe, a principal causa dessa queda é a desaceleração da economia da China.

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