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Plataforma de petróleo da Bacia de Campos, no litoral do Rio, se inclina

Sabrina Valle, Daniela Amorim e Sergio Torres, de O Estado de S. Paulo - Texto atualizado às 17h50

28 Fevereiro 2014 | 08h 47

Segundo a Noble, empresa que presta serviços à Petrobrás, 77 funcionários foram retirados do local, sem ferimentos

RIO - Uma plataforma de perfuração que presta serviços à Petrobrás na Bacia de Campos, litoral norte do Estado do Rio de Janeiro, apresentou problemas e teve que ser evacuada na madrugada desta sexta-feira, 28. A plataforma SS-53 pertence à empresa Noble, prestadora de serviços à estatal, e opera no campo de Marlim.

O incidente ocorreu por volta da 1 hora da madrugada. Como precaução, 77 funcionários não essenciais às operações foram evacuados da sonda sem ferimentos.

"A tripulação executou prontamente as ações corretivas, inclusive protegendo a integridade do poço. As medidas cabíveis estão sendo tomadas para solucionar a questão", diz a Noble, na nota. A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) interditou a SS-53 e as causas do incidente estão sendo investigadas.

Segundo a Petrobrás, em documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a unidade apresentou adernamento (inclinação) de cerca de 3,5 graus e o incidente ocorreu devido a alagamento em um dos tanques da embarcação, motivado por falha na válvula do sistema de lastro, responsável pelo controle da estabilidade da unidade.

"A unidade no momento encontra-se estabilizada e fora de operação, para que sejam realizados os reparos necessários. Foi mantido um contingente mínimo de 36 técnicos especializados, com o objetivo de restaurar as condições normais de operação da plataforma", destacou a petrolífera.

Tecnicamente, a embarcação é uma sonda, embora se assemelhe fisicamente a uma plataforma e seja comumente chamada assim. A sonda é usada para perfurar poços ou fazer serviços no fundo do mar, como a troca de uma válvula, por exemplo, mas não produz petróleo. A SS-53 foi construída em 1980 e foi reformada em 2006, retomando suas condições iniciais e modernizando sistemas. Depois de terminar a perfuração e a formação do poço, a sonda é retirada e, em seu lugar, entra uma unidade de produção de petróleo. Por exemplo, uma plataforma fixa ou um navio-plataforma.

Segundo o diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro NF), Vitor Carvalho, a SS-53 é uma sonda de perfuração de poços, mas há informações de que ultimamente ela era usada como alojamento para pessoal que trabalha na manutenção de unidades de produção em alto-mar.

Segurança. O incidente ocorre em meio a recentes notícias de que a Petrobrás poderia enfrentar novas paralisações em suas plataformas de produção na Bacia de Campos caso não resolvesse questões de segurança.

No início da semana, a Petrobrás informou que órgãos de fiscalização haviam auditado diversas plataformas da empresa, apontando não conformidades e pontos de melhoria das condições operacionais, que segundo a estatal, têm recebido adequado tratamento. (Com Agência Brasil e Reuters)