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Ibama/Divulgação

Polícia investiga ataques a torres de transmissão

12 estruturas do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira foram ao chão de novembro de 2014 até o fim de 2015; não há suspeitos

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Wilson Tosta,
O Estado de S.Paulo

01 Janeiro 2016 | 05h00

Ataques derrubaram doze torres de uma das duas linhas de transmissão de energia do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, que vai das usinas de Santo Antônio e Jirau, em Porto Velho (RO), até Araraquara (SP) e deve começar a operar em fevereiro. Os ataques, concentrados em Rondônia, começaram em novembro de 2014 e se estenderam até o fim de 2015. Presume-se que envolveram ferramentas especiais, como cortadores de disco diamantado, para serrar parte da sustentação das estruturas. As últimas ocorrências foram em 2 de dezembro. Na ocasião, três torres foram derrubadas.

“Ocorreram 12 ataques às linhas de transmissão desde nov/14 até a presente data, sendo 10 torres derrubadas apenas na região de Rolim de Moura e Castanheiras; o último ataque se deu no dia 02 de dezembro de 2015, com a derrubada de 03 (três) torres”, diz a ata de reunião sobre o caso, obtida pelo Estado. Dela participaram policiais, militares e um representante da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Os ataques ocorreram em áreas isoladas, no meio da mata. Por sua extensão e repetição, os incidentes são inéditos no sistema elétrico brasileiro. 

A Secretaria de Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec) de Rondônia investiga o caso, mas não se pronuncia oficialmente. Prefere manter tudo sob sigilo, para não prejudicar as apurações. Não há oficialmente informações que levem aos autores dos ataques, nem às suas motivações, nem se os casos têm conexão. Também não foram registrados furtos de material das torres derrubadas, nem nenhuma reivindicação dos atacantes. A ausência desses fatores intriga os investigadores e torna mais difícil seu trabalho. 

Uma fonte informou, porém, que a Polícia espera prender logo os sabotadores. Tem intensificado ações de patrulhamento em regiões sensíveis, com bons resultados, afirma o informante.

Além da Abin, o Exército, por meio da 17ª Brigada de Infantaria de Selva, acompanha as investigações das Polícias Civil e Militar de Rondônia. Foram representantes desses órgãos que se reuniram com emissários da Eletrobrás, da Eletronorte e da Norte Brasil Transmissora de Energia, em 7 de dezembro, para discutir o caso.

Ficou acertada no encontro a realização de uma campanha na região dos ataques, por rádio e panfletos, para divulgar o que o ocorreu e pedir ajuda dos moradores, para obter informações. Também foi decidido que o número de telefone da Ouvidoria da Sesdec serviria para receber denúncias. Elas também poderão ser feitas por meio do e-mail do órgão: ouvidoria@sesdec.ro.gov.br.

Segurança. Na reunião, foi anunciada ainda a contratação pela Eletrobrás de uma empresa privada de segurança. Seus funcionários percorrerão os trechos das linhas de transmissão e tentarão chegar a pistas dos possíveis autores dos crimes. Haverá uma reunião das forças de segurança com essa empresa e a estatal, em Rolim de Moura, para discutir como agir.

A ata do encontro de 2 de dezembro registra preocupação com a possível redução futura dos royalties a serem pagos sobre a energia. Ela ocorrerá se houver interrupção da transmissão quando a linha estiver em operação, a partir de 2016. Por lei, esses direitos renderão 10% para a União, 45% para Rondônia e 45% para Porto Velho.

“Estima-se que o valor do prejuízo tanto ao Estado de Rondônia quanto ao Município de Porto Velho possa variar entre quatro e 12 Milhões por mês para cada interrupção (...)”, diz o texto.

O documento lembra que as dez torres derrubadas em Rolim de Moura e Castanheiras foram feitas por uma mesma subempreiteira. Não especula, porém, sobre o que isso poderia significar para o esclarecimento dos ataques.

“Uma hipótese levantada seria referente a problemas envolvendo uma empresa terceirizada e seus trabalhadores, onde existem 189 processos na Justiça do Trabalho para pagamento de verbas trabalhistas, mas dependem de decisão judicial para pagamento de indenizações”, diz o documento. Não há, contudo, acusações contra ninguém, nem suspeitos apontados.

Entre as maiores. As duas linhas do Complexo do Rio Madeira serão as maiores do Brasil, com 2.375 quilômetros de extensão. Estarão também entre as maiores do mundo. Foram projetadas para cruzar cinco Estados , de Porto Velho (RO) a Araraquara (SP), e serão sustentadas por 10 mil torres . Quando plenamente operacionais, transmitiraõ 12,8 GW de energia. Suas operadoras, respectivamente, são a Norte Brasil Transmissora de Energia (NBTE) , empresa formada por Abengoa e Eletronorte, e a Interligação Elétrica do Madeira (IE Madeira), formada por CTEEP , Furnas e Chesf.

Empresas. Procurada, a Eletrobrás alegou que suas controladas são minoritárias no empreendimento, por isso não poderia se pronunciar. A Eletronorte não respondeu a pedido de entrevista. Não foi possível localizar porta-voz da Abengoa. As empresas da outra linha não participaram da reunião que discutiu os ataques./COLABOROU VINICIUS NEDER 

 

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