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Ponto para a hiperinflação

De onde estamos, é possível reencontrar o rumo do País sem aprovarmos reformas estruturais de peso, especialmente na área do gasto público? Resposta: tudo indica que não. Como se situam as medidas que o governo anunciou? Resposta: incompatíveis com a gravidade da situação atual. Conclusão: o governo ainda não se deu conta do tamanho do abacaxi em que estamos metidos. Ou seja, na disputa que vem por aí, ponto para a hiperinflação.

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Raul Velloso*

19 Fevereiro 2016 | 22h04

A nomeação de Levy passou a impressão de que algo tinha mudado. Na beira do precipício, se diz, mesmo os políticos mais teimosos respondem aos desafios, nem que seja por mero instinto de sobrevivência. As marchas e contramarchas de 2015 mostraram, infelizmente, que essa avaliação não vale para o governo Dilma. Em um ano, Levy foi impiedosamente defenestrado pelo governo, pelo PT e Deus sabe por quem não.

Agora, o novo ministro (Barbosa) é saudado pela maior afinidade com o governo e pela disposição para solucionar problemas complicados. Juntou-se a um não tão empenhado colega da Previdência para iniciar um debate com as centrais sindicais sobre reforma. Já se viu o que virá pela frente. As centrais se recusam a aceitar que é preciso reformar. Não querem de forma alguma ver que, se nada for feito, o gasto dobrará até 2040. Sem reforma só a hiperinflação resolve o problema.

Criar um faixa para as metas fiscais, resolve o problema formal, mas é o mesmo que dizer que não há meta. Já o estabelecimento de limites para gastos só faz sentido no item pessoal, que sofre enormes pressões das corporações de servidores, mas o governo tem algum grau de manobra para controlar. É só dizer não aos reajustes e às demandas por contratações.

*É especialista em Finanças Públicas

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