Com servidores em greve, população fica sem atendimento e sem informação

Paralisação no INSS deixa contribuinte sem perícia médica, entre outros serviços, e causa indignação

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S. Paulo

16 Setembro 2015 | 22h51

O motorista Aroldo Gomes, de 37 anos, sofreu um acidente de moto em Açailândia (MA) e perdeu o movimento do braço direito e precisa de cadeiras de rodas para se locomover. Há um ano e quatro meses, ele recebe o auxílio de dois salários mínimos todo mês. A greve dos funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pode fazer com que ele perca o benefício porque não consegue marcar uma perícia médica em uma das agências da Previdência Social.

Gomes precisa marcar a perícia para garantir o pagamento do auxílio antes do dia 30 deste mês. Ele precisa resolver a situação até o dia 28, quando está marcada no Hospital Sarah Kubitschek a cirurgia que fará para recuperar o joelho, o fêmur e a tíbia. O motorista chegou em Brasília no sábado.

“Só tenho R$ 200 para viver com minha prima (que o acompanha) aqui em Brasília. Se cancelar, não sei como vou viver, nem como voltarei para o Maranhão”, afirmou. Ele tentou, sem sucesso, marcar a perícia nesta quarta-feira em um posto central do INSS na capital federal, mas não conseguiu. Além da greve, o sistema estava fora do ar, segundo os funcionários. Fizeram um novo agendamento para amanhã, quando tentará mais uma vez marcar a perícia médica. 

A cozinheira Marlene Pereira, de 51 anos, tenta há cinco meses agendar uma data para dar entrada na aposentadoria. Ela tem, segundo suas contas, tempo suficiente para se aposentar. O que trava, no entanto, é o agendamento para que o INSS faça a contagem correta. Nesta quarta-feira, ela encontrou as portas fechadas na agência. O guarda disse que somente perícias estão sendo marcadas. 

De acordo com números oficiais, 52% das perícias médicas que foram agendadas para terça-feira, dia 15, foram realizadas. 

Adiamento. Outros serviços, por mais básicos que sejam, estão sendo adiados. A tecnóloga em alimentos Rita de Cássia Sávio, de 52 anos, está tentando, sem sucesso, um código para continuar pagando o INSS no período em que está recebendo o seguro-desemprego. Ela foi demitida e queria continuar contribuindo para não ser prejudicada no contagem do tempo para se aposentar. 

Rita de Cássia ligou no 153, como recomenda o Ministério da Previdência Social, e conseguiu agendar o atendimento para Sobradinho, bairro distante do centro de Brasília. Ao chegar no local, disseram que ela deveria ter comparecido em outra agência, no centro da capital. Ao retomar para o posto, encontrou as portas fechadas. “O governo não respeita os cidadãos. Pagamos tantos impostos - ainda querem aumentar - e não conseguimos ser atendidos em um órgão público. É revoltante”, desabafou. 

Além da questão salarial, a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps) reivindica que a remuneração do servidor - atualmente 30% fixa e 70% variável - seja invertida e que a carga horária seja de 30 horas para todos. 

A categoria afirma que um terço dos servidores ativos estão muito próximos de se aposentar.

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