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Por que os juros bancários se descolaram da Selic

A taxa mensal média de juros, cobrada do prestamista do sistema financeiro privado - no crediário das lojas ou nos empréstimos bancários -, vem subindo há 12 meses consecutivos. Conforme se viu no Estado de ontem, em matéria de Marcia De Chiara, essa taxa alcançou, em maio, 5,98% ao mês, ou 100,76% ao ano, a maior marca em quase dois anos.

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O Estado de S.Paulo

11 Junho 2014 | 02h05

Acresce que, com essa forte escalada da taxa média mensal, os juros de mercado se descolaram da alta da taxa básica de juros fixada pelo Copom. Enquanto a Selic, entre maio de 2013 e maio deste ano subia 3,75 pontos de porcentagem, passando de 7,25% para 11,0% ao ano, os juros médios de mercado subiram 12,79 pontos de porcentagem, cerca de três vezes mais.

A pesquisa é da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), cujo vice-presidente, Manuel Ribeiro de Oliveira, comentava que o maior risco de inadimplência, decorrente da piora do ambiente econômico, do menor crescimento do PIB e da renda, e do aumento da inflação, fez com que os bancos elevassem as taxas cobradas nas várias modalidades de crédito.

A inadimplência geral em maio, em relação a abril, até apresentou queda, como apontamos em nosso comentário de ontem. Mas os bancos, atentos à proteção dos seus recursos e dos recursos neles depositados, trabalham com antecipação de cenários, de modo que o aumento dos juros praticados está indicando que eles preveem tempos de dificuldades para os prestamistas dos crediários. Como, aliás, está sugerindo o aumento significativo da inadimplência no crédito da área de varejo, de 11%, entre maio e abril apenas.

"Os bancos já colocaram esse risco na conta e o spread (diferença entre o que pagam para os aplicadores e o que cobram dos devedores) aumentou por causa disso", diz o vice-presidente da Anefac.

Para Fabio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio, o descolamento entre as taxas de mercado e a taxa básica de juros é explicado pela recomposição das margens dos bancos, já que outros fatores - aumento de tributos, da Selic e da inadimplência - não o justificam. Indiretamente, ele se refere à prática dos bancos de defesa antecipada, que mencionamos acima.

Essa atitude é também parte da queda de confiança na capacidade da equipe econômica de domar o impulso inflacionário e de deter o enfraquecimento do emprego.

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