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Poupança menor não afeta o crédito à moradia

O Estado de S.Paulo

01 Junho 2014 | 02h 04

Houve mais retiradas do que depósitos em cadernetas de poupança, em abril, o que não chegou a afetar os empréstimos habitacionais, que cresceram, no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), 10% em relação a abril do ano passado, de R$ 8,3 bilhões para R$ 9,2 bilhões, e de 11% em relação a março. Os empréstimos à casa própria no SBPE, majoritariamente destinados à classe média, são o aspecto menos preocupante do mercado imobiliário, que enfrenta uma desaceleração, em São Paulo, segundo os levantamentos do sindicato da habitação (Secovi).

No primeiro quadrimestre do ano passado, os depósitos de poupança registraram aumento líquido de R$ 9 bilhões, mas no mesmo período deste ano o crescimento líquido foi de apenas R$ 3,6 bilhões - e R$ 736 milhões foram sacados em abril. Ainda assim os saldos das cadernetas cresceram de R$ 404,9 bilhões, em abril de 2013, para R$ 480,4 bilhões, em abril último.

O aumento das retiradas da poupança se explica pela queda do poder aquisitivo dos salários decorrente da inflação e pela necessidade de cobrir gastos correntes, mas também pelo elevado endividamento das famílias e, em especial, pelo avanço dos juros. Esse avanço tem dois efeitos imediatos: eleva o valor das prestações nas operações de crédito e desloca aplicações em caderneta para outras modalidades, tornadas mais competitivas pela alta da Selic, de 7,25% para 11% ao ano, interrompida agora pelo Copom.

Se não houve impacto sobre as operações ativas de crédito a imóveis, é porque há uma sobra histórica de recursos no SBPE, que só tenderão a esgotar-se, segundo especialistas, em mais dois ou três anos. E, se isso de fato ocorrer, os bancos poderão se valer de mecanismos de captação já bastante conhecidos, como as letras de crédito imobiliário e os certificados de recebíveis imobiliários (CRIs).

Havendo demanda forte, mais de 550 mil imóveis foram financiados nos últimos 12 meses, um crescimento da ordem de 20% em relação aos 12 meses passados. E quase 700 mil unidades foram financiadas no primeiro quadrimestre, 16% mais do que em igual período de 2013.

Os dados sugerem que o ritmo de crescimento do crédito habitacional apresenta uma acomodação, após a elevação do montante de empréstimos em quase 32%, entre 2012 e 2013. Acomodação, entenda-se, perfeitamente explicável pela preocupação dos trabalhadores com os rumos da economia.

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