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Economia

Poupança

Patrimônio da poupança cai pela primeira vez em 20 anos

Com a crise econômica e a concorrência de outras aplicações, caderneta encerrou 2015 com patrimônio menor do que o de 2014

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Célia Froufe,
O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2016 | 15h28

BRASÍLIA - O pior resultado para a caderneta de poupança dos últimos 20 anos em 2015 fez o patrimônio da aplicação cair pela primeira vez na história. No ano passado, com o aumento do desemprego e as altas da inflação e do dólar, o volume de saques superou o de aplicações nesse investimento em R$ 53,6 bilhões. Isso não ocorria desde 2005, quando o resultado ficou negativo em R$ 2,7 bilhões.

Mas em 2005, assim como em alguns anos anteriores, o volume dos rendimentos da caderneta acabava ajudando o saldo anual a superar o total verificado um ano antes. Desta vez, no entanto, a poupança perdeu a atratividade para investimentos cambiais (o dólar disparou 48,5% em 2015) e atrelados à taxa de juros, atualmente em 14,25% ao ano.

Desde 1995, quando o Banco Central começou a divulgar a série, o volume de investimentos na caderneta de poupança só aumentou ano a ano. O Brasil tem R$ 656,6 bilhões aplicados na caderneta - 2014 encerrou em R$ 662,7 bilhões. A queda de 0,93% de um ano para o outro é pequena, mas é inédita. No ano passado, o rendimento incorporado ao investimento foi de R$ 47,4 bilhões.

Ajuda do 13º. Foi por pouco que 2015 não teve saques maiores do que depósitos na caderneta de poupança em todos os meses. Apenas em dezembro as aplicações superaram os saques, em R$ 4,8 bilhões. Em todos os outros meses do ano as retiradas de recursos foram maiores do que as aplicações.

O último mês do ano costuma ser beneficiado pelo pagamento do 13.º salário, que injeta mais dinheiro na economia.

O resultado de dezembro ficou maior até do que o de idêntico mês de 2014, quando as aplicações líquidas ficaram em R$ 3,6 bilhões. Em 2013, os investimentos na caderneta somaram R$ 11,2 bilhões no último mês do ano. Os depósitos na caderneta somaram R$ 198 bilhões no mês passado, enquanto as retiradas foram de R$ 193,2 bilhões. 

No acumulado do ano, os Investimentos somaram R$ 1,906 trilhão, enquanto os saques foram de R$ 1,959 trilhão.

Concorrência. Essa fuga da caderneta de poupança tem ocorrido, entre outros motivos, segundo avaliação de especialistas, porque, com a recessão econômica que o Brasil atravessa, sobram menos recursos dos trabalhadores para investimentos. 

Além disso, com um cenário de juros e dólar altos, outros investimentos tornam-se mais atrativos.

A remuneração da poupança é formada por uma taxa fixa de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) - esse cálculo vale para quando a taxa básica de juros (Selic) está acima de 8,5% ao ano.

Setor imobiliário. Por causa dessa sangria na poupança, o setor imobiliário passou a reclamar de falta de recursos para financiamentos de casas e apartamentos.

Para minimizar esse quadro, o Banco Central decidiu, em maio, liberar os bancos para usar R$ 22,5 bilhões dos depósitos da poupança que são obrigados a manter na instituição para desembolsos nas operações de financiamento habitacional e rural. 

Mais recentemente, esses recursos foram liberados para serem usados também em investimentos em infraestrutura.

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