José Maria Tomazela/Agência Estado
José Maria Tomazela/Agência Estado

Preço de commodities deve continuar baixo na próxima década, diz estudo

Demanda baixa, retração dos impactos de política de biocombustíveis e perspectiva de produção abundante de grãos são fatores que podem limitar o aumento de preços

Cristian Favaro, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2017 | 12h36

SÃO PAULO - Os preços internacionais de commodities agrícolas devem continuar baixos na próxima década, apontou o Relatório de Perspectivas 2017/2026 da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A perspectiva é embasada pela desaceleração no ritmo de crescimento da demanda em nações emergentes, assim como pela retração dos impactos de políticas voltadas para biocombustíveis no mercado, mostrou o documento, divulgado nesta segunda-feira, 10. 

Segundo a publicação, a perspectiva de produção abundante de grãos no mundo também deve colaborar para limitar os ganhos dos preços, que estão agora caminhando para os seus níveis mais baixos desde a crise dos preços dos alimentos em 2007-2008.

O crescimento futuro na produção deve refletir principalmente o aumento na produtividade. No caso do milho, por exemplo, a perspectiva é de que 90% do aumento da produção resulte da maior produtividade, enquanto 10% reflita a expansão da área. Na contramão, o crescimento da produção de carne e lácteos deve ser proveniente tanto dos maiores rebanhos, quanto da maior produção por animal. 

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"Os preços reais da maioria das commodities agrícolas e pesqueiras devem recuar ligeiramente ao longo dos próximos 10 anos", afirmou no relatório o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría. "Como testemunhamos no passado, eventos inesperados podem facilmente retirar os mercados dessas tendências centrais, por isso, é essencial que os governos continuem com seus esforços conjuntos na busca pela estabilização dos mercados mundiais de alimentos", disse Gurría.  

Consumo de alimentos e desnutrição. Enquanto isso, a demanda per capita de alimentos básicos deve permanecer estável, com exceção dos países menos desenvolvidos. A perspectiva é de que as calorias e o consumo de proteínas adicionais ao longo do período sejam principalmente de óleo vegetal, açúcar e produtos lácteos. Enquanto isso, o ritmo de crescimento da demanda por carne deverá diminuir, sem novas fontes de demanda projetadas para manter o impulso gerado anteriormente pela China, apontou o documento. 

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Segundo Gurría, o relatório prevê que a disponibilidade média de calorias por pessoa por dia aumentará nos países menos desenvolvimentos e na maioria das economias emergentes. "Mas sabemos também que mais alimentos, por si só, não são suficientes para eliminar a desnutrição. O acesso às calorias adicionais é extremamente importante", ponderou.

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