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Premiê chinês diz que país não fará ‘guerra cambial’

- Atualizado: 21 Março 2016 | 22h 14

Em reunião com a diretora do FMI, Li Keqiang garantiu que governo não vai desvalorizar o yuan para impulsionar exportações

Lagarde e Li Keqiang discutiram a política cambial do país asiático
Lagarde e Li Keqiang discutiram a política cambial do país asiático

O primeiro-ministro da China, Li Keqiang, reiterou nesta segunda-feira, 21, que seu país não vai desvalorizar o yuan para impulsionar as exportações, uma vez que isso acabaria prejudicando a reestruturação da economia chinesa. O comentário foi feito durante reunião com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

Segundo comunicado divulgado no site do Conselho Estatal, como é conhecido o gabinete chinês, Li afirmou que a China rejeita a possibilidade de uma “guerra cambial”, que prejudicaria a recuperação da economia global.

O premiê também comentou que a China tem capacidade de superar riscos financeiros regionais e sistêmicos e que irá prosseguir com os esforços de reformar gradualmente a política para a taxa de câmbio do yuan.

No mesmo encontro, Lagarde disse que a China fez avanços na comunicação de sua postura cambial, o que pode ajudar a melhorar a confiança do mercado global, de acordo com o comunicado.

Segundo analistas, a volatilidade recente vista na definição da chamada “taxa de paridade” do yuan em relação ao dólar deixou de ser surpresa, tendo em vista que o Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês) vem sinalizando que irá acompanhar o comportamento da divisa chinesa em relação a uma ampla cesta de moedas.

Para os negócios de ontem em Xangai, o PBoC orientou o yuan fortemente para baixo frente ao dólar por meio da taxa de paridade, após fazer significativos ajustes para cima na moeda chinesa nas duas sessões anteriores. Como resultado, o yuan se enfraqueceu ontem, depois de acumular ganhos robustos na quinta e na sexta-feira.

Para o chefe de estratégia para a Ásia do Deutsche Bank, Sameer Goel, a taxa de paridade de ontem refletiu principalmente o movimento de recuperação do dólar na última sexta-feira, depois de ter perdido terreno nos dois dias anteriores em reação à postura mais “dovish” (favorável a estímulos) do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), que cortou pela metade sua previsão para aumentos de juros este ano, para apenas duas vezes.

Goel ressaltou, no entanto, que independentemente do movimento de ontem ante o dólar, o yuan “tem se valorizado muito pouco” em relação a uma cesta de moedas relevantes.

No fim de 2015, o FMI decidiu que vai incluir o yuan, a partir de outubro, em sua cesta de moedas de reserva, atualmente formada por dólar, euro, libra e iene. Desde então, a moeda chinesa tem mostrado fortes oscilações, incluindo quedas acentuadas e também o maior salto frente ao dólar em mais de uma década em meados de fevereiro.

Na visão do chefe de renda fixa para a região asiática (exceto Japão) da PineBridge Investments, Arthur Lau, o PBoC “está se esforçando muito para educar o mercado ou sugerir que o yuan não está mais ligado apenas ao dólar”. Lau acredita que a desvalorização do yuan também reflete preocupações com a economia chinesa. Segundo ele, o mercado prevê que o déficit orçamentário do país ultrapassará o nível de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) sinalizado por Pequim, uma vez que os gastos serão maiores que a receita, o que causará mais enfraquecimento do yuan.

No médio prazo, dizem analistas, o yuan deverá continuar sofrendo pressão de baixa, em meio a temores com persistentes indícios de desaceleração da China. Em 2015, o gigante asiático registrou expansão de 6,9%, a menor em 25 anos. Para 2016, a meta de crescimento é de 6,5% a 7,0%, ante “cerca de 7,0%” no ano passado.

Para afastar receios de que a China promova uma nova grande desvalorização do yuan, como fez em agosto do ano passado, o presidente do PBoC, Li Keqiang, declarou, em mais de uma ocasião, que Pequim não irá enfraquecer a moeda chinesa como forma de impulsionar as exportações. / DOW JONES NEWSWIRES 

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