1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Premiê português tenta acalmar investidores e BES diz que pode cobrir perdas

SERGIO GONCALVES E LAURA NOONAN - REUTERS

11 Julho 2014 | 11h 41

O banco central de Portugal e o primeiro-ministro do país garantiram a investidores nesta sexta-feira que o sistema financeiro português é sólido, buscando mitigar os temores sobre os efeitos colaterais de problemas no império corporativo Espírito Santo.

"É importante que investidores portugueses e estrangeiros... permaneçam calmos sobre o banco e sobre nosso sistema financeiro e bancário", disse em Lisboa o primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, a jornalistas.

Irregularidades financeiras divulgadas recentemente na rede de holdings por trás do maior banco listado de Portugal, o Banco Espírito Santo, levantaram dúvidas sobre perdas no banco e em outras companhias na órbita da família Espírito Santo.

Essa preocupação provocou uma debandada nos mercados globais na quinta-feira, impulsionando os rendimentos de títulos e revivendo memórias da crise da dívida da região. Algumas companhias chegaram até mesmo a desistir de operações de captação de recursos planejadas há tempos.

Em comunicado divulgado na noite de quinta-feira, o BES insistiu que não será ameaçado por quaisquer perdas relacionadas a sua exposição de 1,15 bilhão de euros às holdings Espírito Santo. O banco disse que, segundo números de 31 de março, tem 2,1 bilhões de euros em capital acima das exigências regulatórias mínimas, incluindo 1 bilhão de euros captados por meio de oferta de ações realizada em junho.

O comunicado estabilizou parcialmente turbulências no mercado de Portugal e em outros países nesta sexta-feira. As bolsas europeias subiam e títulos italianos saíram com rendimento historicamente baixo em leilão.

Mas os mercados continuavam cautelosos, pois muitas perguntas continuam sem resposta.

Auditoria identificou uma "situação financeira séria" no Espírito Santo International, um vasto conglomerado com participações em bancos, hotéis e na área de saúde que está perto do topo da pirâmide de negócios da família.

Mais tarde, o ESFG disse que o ESI atribuiu valor alto demais a seus ativos e deixou de reconhecer perdas e dívidas, mas não identificou os motivos por trás dessas decisões.

Investidores também estão no escuro sobre o tamanho de possíveis perdas.

Falando a jornalistas nesta sexta-feira, o primeiro-ministro Passos Coelho disse que investidores precisam diferenciar a família Espírito Santo da instituição BES.

"O BES é diferente dos negócios da família Espírito Santo... é importante que investidores portugueses e estrangeiros entendam essa diferença", afirmou.

O banco central do país também disse nesta sexta-feira que o BES tem capital suficiente para enfrentar as potenciais perdas do Grupo Espírito Santo (GES), sendo que a segurança dos fundos no BES não está comprometida.