REUTERS/Jon Nazca
REUTERS/Jon Nazca

Preocupado com independência, banco anuncia mudança da Catalunha

Direção do Banco de Sabadell busca nova sede próxima a Madri; independência traria forte impactos econômicos para região

Matteo Bianucci, Especial para O Estado

05 Outubro 2017 | 17h55

A vitória separatista no plebiscito catalão e o risco de uma declaração de independência unilateral da região já produz movimentos concretos no mercado financeiro. Nesta quinta-feira, 5, o conselho do espanhol Banco de Sabadell aprovou mudar sua sede para fora de Barcelona como uma medida de estancar a fuga de investidores preocupados com o futuro da instituição.

Segundo a agência Associated Press, a direção do banco analisa uma migração para Alicante, Oviedo ou Madri. Uma mudança mostra como as companhias sediadas na Catalunha estão tomando medidas para responder às preocupações dos investidores sobre o impacto de uma possível declaração de independência da região mais rica da Espanha. 

As ações do Sabadell subiram após o anúncio da mudança, nesta quinta-feira, e fecharam em alta de 6,16%.

"O Banco Sabadell adotou esta decisão para proteger o interesse dos nossos clientes, acionistas e funcionários", disse a instituição, acrescentando que a mudança não implicará na transferência de nenhum funcionário.

Incertezas. Para além da crise política interna, a ameaça de independência unilateral da Catalunha poderia causar forte instabilidade na península Ibérica, com incerteza em ambos os lados.

A Catalunha tem 7,5 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de 200 bilhões de euros, que se compara com países como Portugal e Finlândia. 

De acordo com o Prof. Leandro Fraga Guimarães, professor de graduação e pós-graduação na FIA, "o impacto econômico poderia ser relevante", mas há também impactos "de imagem e de potencial de negocio, tendo em consideração a grande expressão internacional de Barcelona".

Segundo ele, "dificilmente haverá uma lógica cristalina que justifique a separação da um ponto de vista econômico, em quanto as questões são muito mais ligadas aos aspectos culturais e de identidade local".

Hoje, a Catalunha é responsável por 20% do PIB espanhol e responde por 25% das exportações nacional. De acordo com o Instituto nacional de estatística espanhol, a Catalunha tem um PIB per capita de 28.590 mil euros por habitante ao ano, enquanto a média nacional é de 24 mil euros. Ao lado da Andaluzia e de Madri, a região é uma das mais industrializadas do país.

Segundo dados do Eurostat, o nível do desemprego se situa quatro pontos porcentuais abaixo da media nacional e se o governo de Carles Puigdemont, o líder catalão, conseguisse alcançar a independência, a Espanha poderia também ter repercussões no lado da competitividade internacional.

 

Os estabelecimentos industriais abertos na região desde 2003 por empresas estrangeiras representam um investimento de 40 bilhões de euros, cerca de 25% de todo o investimento direto na Espanha no mesmo período, como apontado em uma pesquisa realizada pelo governo de Puigdemont.

Impostos. Um dos grandes motores do atual descontentamento local, além das barreiras culturas, é a participação da Catalunha no bolo de tributos e impostos regionais para a federação espanhola. O governo catalão considera excessivo responder por 21% da arrecadação de Madri.

Apesar disso, o Prof. Leandro Guimarães, da FIA, sublinha que a questão europeia é semelhante ao que se vê em outras localidades, inclusive aqui no Brasil. "Acontece no Estado de São Paulo, o qual recolhe mais impostos pela União, do que recebe em troca".

Integração. A questão mais debatida abrange a relação de uma integração catalã com a União Europeia. Bruxelas considera inválido o voto do referendo e, em caso de independência, a região teria de recomeçar com muitas dificuldades as negociações para entrar, como Pais autônomo, do bloco comum europeu.

Desse ponto de vista, é relevante considerar que a admissão exigiria a unanimidade de todos os países, mas é provável que a Espanha se oporá.

A saída do mercado único europeu atingirá as exportações da Catalunha, sujeitas às taxes mais altas. Hoje, 65% das exportais locais vão para a União Europeia. / COM ASSOCIATED PRESS

 

Mais conteúdo sobre:
Catalunha [Espanha]

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.