Prepare o bolso para as gorjetas de Natal

Porteiros de prédios, manobristas, lixeiros e entregadores de jornais e revistas trabalham mais animados em dezembro, o mês das famosas gorjetas de Natal. De acordo com a consultora de etiqueta e estilo Christiana Francine, não há um valor estipulado para a contribuição. "A doação deve depender das condições de quem está ajudando. Acima de R$ 1, a ajuda é válida." Na hora de dar a gorjeta, Christiana afirma que não se deve fazer diferença entre funcionários de uma mesma empresa. "Jamais dê uma cesta básica natalina para a faxineira e um panetone para o motorista, por exemplo. Presentes ou valores diferentes em um mesmo ambiente poderiam estar explicitando certa preferência por algum dos funcionários, o que não é recomendável", afirmou Christiana. A consultora explica que o entregador de revistas, o gari e o manobrista das lojas podem receber um valor menor, pois eles não estão presentes na vida das pessoas em todos os momentos. A consultora sugere que as pessoas façam uma lista com o nome daqueles que devem ser presenteados. "É importante ver o que a pessoa gostaria de ganhar. De repente, ela prefere dinheiro, para comprar algo que necessita, e não uma camisa", exemplifica. Segundo a consultora, como os funcionários levam em conta principalmente a necessidade, o dinheiro pode ser melhor aproveitado por eles. Cuidado com os falsos garis O delegado do 27.º DP, no Campo Belo, Enjolras Rello de Araújo, afirma que as pessoas devem ter muito cuidado na hora de contribuir com as gorjetas, pois há pessoas que se disfarçam de funcionários só para receber a "caixinha de Natal". Na noite de ontem, o ex-funcionário da Enterpa (empresa de coleta de lixo), Alex José da Silva, de 20 anos, e Arenildo Justino da Silva, de 20 anos, foram presos por estarem fingindo ser garis. Eles estavam pedindo caixinha de Natal para moradores da Rua Galileu, no Campo Belo, na zona sul da cidade. Um dos moradores chamou a polícia por desconfiar dos rapazes, já que eles estavam sem o caminhão de lixo. Os dois jovens foram presos e os R$ 270, que eles já tinham arrecadado, apreendidos. "Dou gorjetas no fim do ano somente para as pessoas que conheço. Prefiro dar um panetone como lembrança, pois acredito que agrada a todos", afirmou Araújo. O porteiro Gerisival de Oliveira Silva, de 31 anos, do Residencial Manhattan, localizado na Avenida Guilherme Dumont Villares, no bairro do Morumbi, na zona sul da cidade, trabalha há nove anos nessa profissão e reclamou de ganhar tantos panetones. "Tenho que sair distribuindo para aqueles que não ganharam, como os vizinhos e colegas de trabalho." Ele disse que, no fim do ano, costuma ganhar até 15 unidades. Para Silva, o valor ideal seria acima de R$ 300 no fim do ano. "Nos últimos anos, o valor não chegou a R$ 100. Acredito que o número de pessoas que dão caixinhas de Natal tem diminuído de alguns anos para cá." O porteiro diz que prefere receber dinheiro, pois tem a opção de comprar um peru ou pernil para a família. Já o porteiro Emanuel Barbosa de Lima, do Condomínio Bretagne Appartements, na Alameda Ribeirão Preto, nos Jardins, disse que não tem ganhado muita gorjeta. "Recebi pouco menos de R$ 100 no ano passado". Para ele, o ideal seria ganhar cerca de R$ 500.

Agencia Estado,

18 Dezembro 2001 | 12h13

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