Lintao Zhang/AP
Lintao Zhang/AP

China defende carne brasileira, mas não libera frigoríficos

Sem acordo para o produto nem para a compra de aviões, encontro de Temer com Xi Jinping teve anúncio sobre vistos e futebol

Cláudia Trevisan, enviada especial, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2017 | 11h23

PEQUIM - O presidente da China, Xi Jinping, disse na sexta-feira, 1, que é um “garoto propaganda” da carne brasileira e prometeu a seu colega Michel Temer que seu país ampliará as compras do produto. Mas a visita de Estado do brasileiro a Pequim terminou sem nenhum anúncio concreto sobre a habilitação de novos frigoríficos pela China. O último credenciamento ocorreu há dois anos e 89 plantas aguardam o sinal verde para iniciar embarques com destino ao país asiático.

“Sempre digo que a carne brasileira é uma das melhores do mundo”, declarou Xi na reunião que teve com Temer no Grande Palácio do Povo, segundo relato de integrantes do governo que acompanharam o encontro. China e Hong Kong são os principais destinos das exportações brasileiras do produto, mas o potencial do mercado de 1,4 bilhão de pessoas está longe de ser explorado pelos empresários nacionais.

A expectativa de que o governo chinês autorizasse a compra de 38 aviões da Embraer por empresas do país foi frustrada. As operações já foram anunciadas, mas não chegaram a ser concretizadas em razão do atraso na concessão de licenças pela administração federal. Sem elas, as companhias aéreas não podem cumprir os contratos. Apesar da ausência de um acordo formal, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, disse a Temer que seu governo aprovará as transações. Só não se sabe quando isso ocorrerá.

O presidente brasileiro foi recebido com honras militares em sua primeira visita de Estado à China, a mais elaborada no ranking diplomático. Sob um céu escurecido por uma pesada nuvem de poluição, Temer passou em revista as tropas na entrada do Grande Palácio do Povo, que fica na Praça da Paz Celestial e a poucos metros da Cidade Proibida. O número de partículas poluentes no ar ontem era dez vezes superior ao padrão recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

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O caráter marcial do evento foi amenizado pela performance de um grupo de 80 estudantes de 8 anos e 9 anos. Carregando bandeiras do Brasil e da China, eles gritaram e pularam quando os dois presidentes se aproximaram.

Restrições. A China também prometeu flexibilizar a salvaguarda imposta em maio sobre a importação de açúcar, que atingiu em cheio os produtores nacionais. O Brasil é o único país que exporta um volume superior à quota estabelecida por Pequim, sobre a qual incide tarifa de 15%. A medida adotada pela China elevou de 50% a 95% a alíquota cobrada sobre as vendas que excedem a quota.

Esse assunto foi discutido na reunião de Temer com o primeiro-ministro, na qual ficou decidida a criação de um grupo de trabalho para tratar de conflitos e demandas comerciais. Entre elas, está a investigação antidumping sobre as exportações de frango do Brasil aberta pela China duas semanas atrás e outras adotadas pelo Brasil contra a China.

Além dos acordos puramente econômicos, os dois governos firmaram convênio que aumenta de três para cinco anos o prazo de validade de vistos de turismo e de negócios de múltiplas entradas. O Brasil também decidiu abrir 12 novos centros de concessão de vistos no país asiático, com o objetivo de estimular o turismo. A cada ano, a China envia 120 milhões de turistas a outros países. Desses, apenas 50 mil escolhem o Brasil como destino.

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Os dois países ainda fecharam acordo para coproduções de filmes. A China estabelece uma quota anual para filmes estrangeiros, que normalmente é ocupada por blockbusters de Hollywood. As produções conjuntas são uma maneira de driblar essa barreira e realizar filmes que serão considerados nacionais.

Xi Jinping e grande parte dos chineses são fanáticos por futebol e os dois países definiram cooperação para promoção do esporte, por meio da abertura de escolas na China. 50 mil chineses escolhem o Brasil como destino turístico por ano, de um total de 120 milhões que viajam para outros países. Para estimular a escolha pelo Brasil, o governo vai abrir 12 centros de concessão de vistos no país. Convênio assinado entre os presidentes aumenta de 3 para 5 anos o prazo de vistos de turismo

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