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Presidente da Eletrobrás diz ter levado susto ao saber que foi gravado

Wilson Ferreira Júnior afirmou, durante reunião com sindicalistas, que há 'vagabundos' e 'safados' que ocupam cargos de chefia na estatal; ouça

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2017 | 10h00

RIO - O presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Júnior, afirmou que levou um susto ao tomar conhecimento de que a conversa que teve com sindicalistas, durante a qual diz que há "vagabundos" e "safados" que ocupam cargos de chefia na empresa, havia sido gravada.

"A gente nunca percebe quando (está sendo gravado) quando está numa discussão fechada. Agora, já sabemos o que pode acontecer", disse o executivo, em encontro com a imprensa para tratar do assunto.

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"De fato, exagerei. As pessoas não são vagabundas. Me arrependo disso e me desculpei logo em seguida", complementou. Ferreira disse também que os comentários foram equivocados, no "calor da discussão". "Mas não significa que não tenhamos uma agenda a enfrentar.

Ouça as gravações: 

A Eletrobrás possui 17,2 mil empregados próprios, dos quais 5,97 mil são das distribuidoras que serão privatizadas. Na área de geração e transmissão de energia há 2,22 mil pessoas em cargos de chefia, 6,2 mil na área administrativa e 8,77 mil na área operacional.

Ferreira Júnior informou que vai mandar uma carta a cada um dos funcionários para explicar a situação de fragilidade financeira da empresa. "A empresa precisa enfrentar o tema da dívida grande e produtividade", afirmou.

O executivo disse ainda que não renunciará ao cargo. "O fascínio que eu tenho aqui é implantar esse programa (de reestruturação). Temos uma saída positiva para a empresa", disse.

Segundo o executivo, há hoje na Eletrobras uma redundância de quadros. "Não há processos eficientes", afirmou o executivo, complementando que está sendo implementado um centro de compartilhamento de serviços, para acabar com a redundância.

Dentro do programa de reestruturação interna, a Eletrobras está promovendo um plano de aposentadoria incentivada (PAI), ao qual já aderiram 900 funcionários. A meta é chegar a 2,5 mil, o que significa que 1,6 mil devem aderir até a próxima sexta-feira, quando termina o prazo de adesão.

Durante sua gestão, disse o presidente da Eletrobras, 688 empregados perderam a gratificação pelo cargo de chefia. Até junho, 101 assessores, 440 gerentes e 147 secretárias deixaram suas funções, embora não tenha havido demissões.

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