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Economia brasileira encolhe 0,61% em janeiro, para o menor patamar desde 2010

Considerado uma prévia do PIB, IBC-Br veio pior que o esperado e indica que, apesar do tombo de 3,8% em 2015, a economia ainda não começou a se recuperar

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Eduardo Rodrigues,
O Estado de S. Paulo

14 Março 2016 | 08h58

BRASÍLIA - Após a constatação da forte queda do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, o Banco Central já identificou que a economia brasileira começou este ano com resultado negativo. O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) de janeiro teve baixa de 0,61% ante dezembro do ano passado, com ajuste sazonal. 

Em dezembro, o indicador já havia amargado uma baixa de 0,49% (dado revisado) - também na margem com ajuste. O índice de atividade calculado pelo BC - que serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses - passou de 136,69 pontos no final do ano passado para 135,85 pontos agora na série dessazonalizada. É o menor patamar da série histórica do BC, que teve início em fevereiro de 2010.  

O resultado do IBC-Br ficou abaixo da mediana das estimativas dos 25 analistas do mercado financeiro consultados pelo AE Projeções, que era de estabilidade, e também abaixo das projeções. As estimativas oscilavam entre -0,42% a 0,50%. O indicador de janeiro de 2016 ante o mesmo mês de 2015 também mostrou retração maior do que a apontada pela mediana (-7,30%), mas dentro do intervalo das previsões (-6,80% a -9,78%). 

"Veio mais do que o mercado esperava, é uma queda relevante", disse o economista-chefe da Icatu Vanguarda, Rodrigo Melo. Cálculos do economista sugerem que a demanda doméstica acumula recuo de quase 11% em janeiro em relação ao mesmo mês de 2015 - sendo bem mais intensa que a do IBC-Br. Isso, conforme ele, reforça a ideia de enfraquecimento da demanda interna. 

"As contas externas estão melhorando e boa parte deve-se à demanda doméstica, que está fraca. Na PMC e na PIM, observa-se uma queda bastante relevante", disse, ao referir-se à produção industrial e às vendas de varejo, que têm variações negativas de mais de 13% na comparação interanual. 

Para Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Global Partners, o IBC-Br deve levar a uma deterioração nas previsões para o PIB do primeiro trimestre. Para ele, o dado também eleva as chances de corte da Selic mais à frente. Segundo Velho, o dado mostra que o setor de serviços ainda tem muito a cair, em meio à retração no consumo das famílias. "É errado imaginar que a contribuição do setor externo, pelo lado da demanda, vai contrabalançar o efeito recessivo do consumo das famílias", comenta.

O economista da INVX projeta queda de 4,2% do PIB este ano. Para o primeiro trimestre, ele esperava contração de 0,92%, mas agora deve revisar para uma baixa maior do que 1%. "O IBC-Br corrobora ainda mais uma piora nas expectativas de PIB do mercado financeiro."

A queda na atividade, ao mesmo tempo, reforça a tese do BC de que a recessão este ano vai tirar força da inflação. Nesse sentido, Velho acredita que ainda possa ocorrer uma melhora marginal nas projeções de inflação na pesquisa Focus, do Banco Central. A sondagem divulgada nesta manhã mostra que as expectativas para a inflação este ano passaram de 7,59% para 7,46%.

Mesmo assim, o economista acredita que as projeções de inflação devem cair mais para 2017, já que este ano ainda haverá uma inflação elevada de custos. "A inflação de serviços este ano deve ficar em 7,8%, o que ainda é um patamar muito alto". De qualquer forma, Velho acredita que o BC deve iniciar um ciclo de afrouxamento monetário no fim deste ano, levando a taxa básica de juros para 13,25% em dezembro.

(Com informações de Álvaro Campos e Maria Regina Silva, da Agência Estado)

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