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‘Prévia do PIB’ indica crescimento de 0,30% no 1º trimestre

O Estado de S.Paulo e Reuters

16 Maio 2014 | 08h 42

Para analistas, o índice oficial de crescimento do País - o PIB - deve desacelerar em relação ao 4º trimestre de 2013

Texto atualizado às 10h30

SÃO PAULO - A economia brasileira cresceu 0,30% no 1º trimestre em relação aos três últimos meses de 2013, na série com ajuste sazonal, segundo o IBC-Br, calculado pelo Banco Central e considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). Para analistas, o dado reforça a expectativa de que o índice oficial de crescimento do País, que será divulgado pelo IBGE em 30 de maio, cresça menos do que no 4º trimestre de 2013 (quando avançou 0,7%).

No mês de março, a atividade econômica recuou 0,11% ante fevereiro, após registrar alta de 0,02% entre janeiro e fevereiro (dado revisado). Em 12 meses, o avanço foi de 2,11%. "A trajetória (do IBC-Br) é inequívoca ao mostrar estagnação da economia, os números não são convincentes. O crescimento do PIB no primeiro trimestre não deve ser mais do que 0,5%", avaliou o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Gonçalves, que vê o PIB crescendo neste ano em torno de 1,6%.

A expectativa de economistas ouvidos pelo BC, via pesquisa Focus, é de que o PIB crescerá 1,69% neste ano, abaixo dos 2,3% vistos em 2013.

Para o banco Bradesco, o resultado de março é compatível com a expectativa de desaceleração do PIB no primeiro trimestre deste ano. "Considerando-se outros indicadores coincidentes, continuamos acreditando que o PIB do primeiro trimestre apresentará desaceleração ante o período anterior", diz, em relatório, o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

O banco chamou atenção ainda para a revisão ocorrida no resultado de fevereiro, que passou de uma alta de 0,24% para +0,02%. Nos meses anteriores também ocorreram revisões nas variações mensais.

A economia brasileira não consegue mostrar recuperação neste ano, afetada pelo mau desempenho de importantes setores, como o industrial, e pela falta de confiança dos agentes econômicos. O cenário também inclui vendas no varejo sem força, em meio à inflação elevada e crédito mais caro, vindo da política de aperto monetário adotado pelo BC há um ano e que tirou a Selic da mínima histórica de 7,25% para os atuais 11%. 

Diferente do PIB. O IBC-Br incorpora estimativas para a produção nos três setores básicos da economia: serviços, indústria e agropecuária, assim como os impostos sobre os produtos.

Entre os indicadores que compõe o índice está a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE, que mostrou queda de 0,5% em março ante fevereiro, na série com ajuste sazonal, e recuo de 1,1% na comparação entre o terceiro mês do ano e igual período de 2013. No primeiro trimestre do ano, as vendas do varejo registraram estabilidade. Outro dado importante é a produção industrial, que em março caiu 0,5% na comparação com o mês anterior e recuou 0,9% em relação a março de 2013. No trimestre, no entanto, houve crescimento de 0,6%.

Já o PIB do IBGE é a soma do valor final de todos os bens e serviços produzidos no País durante certo período. Por conta da diferença de cálculo, os dois indicadores podem apresentar resultados diferentes.

(Victor Martins e Fernando Travaglini)