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Previsão é de que 30 mil podem ficar sem trabalho em Cubatão

- Atualizado: 14 Fevereiro 2016 | 03h 00

Os impactos das demissões anunciadas no ano passado pela Usiminas (Ternium/Nippon Steel) no litoral de São Paulo ainda não atingiram a região com força total, mas serão fortemente sentidos nos próximos meses, avalia o vice-presidente do Sindicato dos Siderúrgicos e Metalúrgicos da Baixada Santista, Claudinei Rodrigues Gato. Desde outubro de 2015, o sindicato já homologou 1,1 mil demissões de associados que eram funcionários da Usiminas.

“A previsão é de que, com a desativação da produção de aço na fábrica, o número de pessoas que ficarão sem emprego possa chegar a 30 mil, somando os funcionários diretos, terceirizados e aqueles que trabalham em empresas que prestam serviços exclusivamente para a Usiminas”, diz Gato.

Forno parado. Em Cubatão, produção menor e demissões
Forno parado. Em Cubatão, produção menor e demissões

Em Cubatão, onde o pátio da usina está instalado há décadas, a expectativa é ainda mais pessimista. A prefeitura já prevê quedas substanciais na arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Imposto Sobre Serviços (ISS).

“Em um pior cenário, onde a Usiminas ficaria com apenas 30% de sua atividade, a queda de arrecadação no ICMS seria de aproximadamente R$ 40 milhões por ano (14% do total de arrecadação do tributo). A perda anual com o ISS seria de R$ 37 milhões (16% do total)”, estima a administração.

Famílias. A desativação da produção de aço na Usiminas afetou diretamente a rotina de famílias como a do operador de máquinas Sérgio Claudio Araújo, de 55 anos, demitido no dia 1.º de fevereiro de uma empresa de reciclagem de materiais pesados que mantinha 122 funcionários em Cubatão, todos a serviço da usina.

“Não sobrou ninguém em Cubatão, do gerente-geral ao faxineiro. Ainda estou assimilando a pancada, porque meu salário era a única renda da minha família, e avaliando qual rumo tomar”, diz Araújo. “Nós já soubemos de 12 colegas que conseguiram emprego no Ceará e foram embora, mas eu não posso fazer isso porque preciso pensar nos meus filhos (de 20 e 12 anos) e na minha esposa, saber como uma mudança desse tipo afeta a vida deles”, afirma o operador.

No comércio, a expectativa de retração nas vendas é geral. Para Nery Ambrozio, de 69 anos, dono de um estacionamento no centro, 2016 será um ano de estagnação. “Nós já percebemos uma redução de aproximadamente 20% no movimento e a tendência é piorar porque tem muita gente indo embora da cidade”, diz.

Reações. Desde o anúncio de cortes feito pela Usiminas, o único contato exclusivo entre a prefeitura de Cubatão e a direção da empresa ocorreu no dia 18 de novembro do ano passado. “Depois disso, os encontros ocorreram na CPI do BNDES, em Brasília, em que a Usiminas foi ouvida, e nas rodadas de negociações no Ministério Público do Trabalho (MPT), onde também estavam representantes das entidades sindicais que representam os trabalhadores”, informa a administração municipal.

Para tentar diminuir o impacto causado pelo fim da produção de aço, a prefeitura reformulou contratos e priorizou os serviços públicos. “Também buscamos novas fontes de arrecadação, porque infelizmente a cidade é muito dependente da produção industrial”, diz Fábio Inácio, secretário de governo da Prefeitura de Cubatão. “Em médio prazo, queremos atrair novos empreendimentos e empresas para o município, principalmente os ligados à economia limpa e ao setor de tecnologia. Não está sendo uma tarefa fácil”, ressalta o secretário.

Em nota enviada à reportagem, a Usiminas disse que “a diretoria executiva está trabalhando para aumentar a competitividade da empresa”, destacando que manteve a área de laminação em operação na cidade. Também declarou que “a desativação das áreas primárias de Cubatão foi necessária porque o mercado siderúrgico vive a maior crise de sua história”.

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