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Principal aliado de Abilio na BRF, Tarpon está disposto a negociar com fundos de pensão

Segundo fontes ligadas ao fundo, que é o terceiro maior acionista da empresa de alimentos, com 7,3% do capital, há interesse em ouvir a proposta de Previ e Petros

Renata Agostini e Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2018 | 17h29

Terceiro maior acionista da BRF, o fundo Tarpon está disposto a negociar com os fundos de pensão do Banco do Brasil (Previ) e da Petrobrás (Petros) sobre mudanças no conselho de administração da companhia de alimentos, dona das marcas Sadia e Perdigão. A proposta dos fundos é a eleição de novos membros, que inclui a troca do presidente do colegiado, cargo exercido por Abilio Diniz. O empresário se tornou acionista da companhia de alimentos e passou a influenciar a gestão da BRF a partir de 2013, com o apoio do Tarpon, logo após deixar o Grupo Pão de Açúcar, fundado pelo seu pai.

Apesar de ter reduzido sua fatia na BRF, o Tarpon se mantém uma peça relevante para a definição das mudanças na empresa – hoje, o fundo detém 7,3% da companhia. O Tarpon, apurou o Estado, está disposto a entender quais são as propostas dos fundos de pensão para recuperar a empresa e estaria disposto a dar aval às mudanças. Abilio já está ciente da decisão do Tarpon, segundo fontes.

Abilio é importante acionista da BRF, com cerca de 4% de participação, por meio da Peninsula, veículo de investimento de sua família. O empresário, segundo fontes, estaria definindo sua estratégia em relação à ofensiva dos fundos de pensão. Ele ainda não teria decidido se tentará uma saída negociada ou se partirá para um conflito direto com Petros e Previ.

Caso o Tarpon venha a se alinhar aos fundos, o movimento representará a ruptura de uma longa parceria. No ano passado, já diante de resultados ruins, a relação entre Abilio e Tarpon começou a se abalar. Em agosto, Pedro Faria, sócio da Tarpon, deixou a presidência da BRF. Mesmo assim, em novembro, o fundo e empresário voltaram a se unir para escolher José Aurélio Drummond, nome indicado por Abilio, para o lugar de Faria.

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A intenção dos fundos de mudar o conselho de administração foi oficializada no sábado, 24. Depois do posicionamento oficial de Previ e Petros, Abilio criticou, por meio de um comunicado, a posição hostil dos maiores acionistas da BRF, que detêm 11% do negócio cada um, mas convocou para a próxima segunda-feira uma reunião do conselho para deliberar sobre a realização de uma assembleia de acionistas que decidirá sobre a mudança do colegiado.

Nos últimos dias, Petros e Previ têm se movimentado para buscar aliados na tentativa de mudar os rumos da companhia, com a apresentação de uma nova chapa para o conselho. Já conseguiram alguns aliados declarados – como o do fundo britânico Aberdeen, que tem 5% da companhia – e teriam também o apoio de outros investidores, incluindo alguns ligados às famílias fundadores de Perdigão e Sadia.

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Para eleger um novo colegiado, no entanto, os fundos de pensão terão de angariar mais de 50% dos votos dos acionistas.

Plano de ação. Apesar de estar disposto a negociar com os fundos – que até agora só propuseram a mudança do conselho –, o Tarpon irá defender que os fundos apreciem o plano da atual direção da empresa, aprovado pelo conselho no último dia 22, antes de uma nova mudança na administração.

Nos últimos cinco anos, a BRF teve quatro presidentes e algumas dezenas de trocas nos principais cargos executivos, muitos dos quais acabaram sendo contratadas pela Seara, que pertence à JBS, maior rival da BRF. A empresa fechou os últimos dois anos com prejuízos de quase R$ 1,5 bilhão.

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Procurados, Tarpon, BRF, Previ, Petros e Abilio Diniz não quiseram se pronunciar.

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