PDV superou expectativas, diz presidente do Bradesco

No 'Empresas Mais', Luiz Carlos Trabuco Cappi afirmou que programa teve resultado um pouco acima das expectativas ao totalizar 7,4 mil adesões

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2017 | 10h39

O primeiro programa de demissão voluntária (PDV) do Bradesco teve resultado um pouco acima das expectativas ao totalizar 7,4 mil adesões, de acordo com o presidente do banco, Luiz Carlos Trabuco Cappi. O executivo descartou, contudo, outro movimento nesta direção no curto e médio prazo.

"O PDV teve boa aceitação e cumpriu seus objetivos. Foi uma oportunidade para pessoas que tinham outros projetos, pessoais, de lazer, e muito tempo de casa. Isso abre oportunidade de carreira", disse Trabuco. "O PDV acaba sendo uma revitalização de carreira", acrescentou.

A adesão de 7,4 mil funcionários ao programa de demissão voluntária do Bradesco, concluído no fim de agosto, pode resultar em uma economia anual de R$ 1,5 bilhão ao banco, de acordo com cálculos do Credit Suisse. A cifra representa, segundo recente relatório do banco suíço, 4,5% da estimativa para o lucro da instituição antes impostos em 2018.

O resultado o PDV do Bradesco representa 7,04% da força de trabalho do banco, considerando os números do segundo trimestre, conforme os analistas do Credit Suisse, Marcelo Telles, Lucas Lopes e Alonso Garcia. Ao final de junho último, a instituição somava 105,143 mil pessoas em seu quadro. O primeiro PDV do Bradesco, cujo resultado foi antecipado pela Coluna do Broadcast, visou a eliminar a gordura gerada com a integração do HSBC, que adicionou cerca de 20 mil funcionários ao banco.

JBS. Trabuco também afirmou no evento que as prisões dos irmãos Batista na última semana não impactam o risco da JBS para os bancos. O relacionamento das instituições financeiras, conforme o executivo, é com a empresa e não com as pessoas físicas e, por isso, não se faz necessário, neste momento, o reforço nas provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs.

"Os bancos prorrogaram mais de 90% do crédito de curto prazo da empresa. O relacionamento dos bancos é com a pessoa jurídica, com a administração, e não com a pessoa física", disse. "A empresa tem um fluxo", acrescentou.

Trabuco explicou que as prisões não acimentam o risco da JBS, porque a renegociação de dívidas da empresa foi feita com base em aumento de garantias. Sobre eventual impacto da delação no acordo da leniência fechado pela holding J&F, o executivo disse que não tinha condições de comentar.

Recentemente, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Santander, HSBC, Citi e outros bancos estrangeiros acordaram em empurrar a dívida de R$ 17 bilhões da JBS por 24 meses. Em troca, essas instituições exigiram que 80% dos recursos obtidos com a venda de ativos da holding J&F fossem destinados para abater os débitos dessas empresas com os bancos. O Itaú Unibanco, com exposição de cerca de R$ 1,5 bilhão, foi o único que ficou de fora do acordão e optou por um acerto individual. 

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