Michaela Rehle/Reuters
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Produção de veículos cresce no 1º semestre e indústria eleva projeções para o ano

Brasil produziu 1,2 milhão de unidades entre janeiro e junho, segundo a Anfavea, um crescimento de 23,3%; expectativa de avanço foi revisada de 11,9% para 21,5% este ano

André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2017 | 11h48

A produção de veículos no Brasil cresceu 15,1% em junho deste ano ante igual mês do ano passado, informou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Foram 212,2 mil unidades fabricadas, em soma que considera automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Contudo, o volume, se comparado a maio, representa queda de 15,4%. Com os resultados, o primeiro semestre terminou com a produção de 1,263 milhão de unidades, alta de 23,3% em relação a igual período do ano passado.

A associação também revisou a sua projeção para produção de veículos em 2017, de alta de 11,9% para 21,5%. Se a estimativa se confirmar, o setor terminará o ano com 2,619 milhões de unidades fabricadas, ante expectativa anterior, divulgada no início do ano, de 2,413 milhões.

A revisão foi estimulada principalmente por números maiores em exportação, com a indústria registrando recorde de unidades exportadas no primeiro semestre de 2017. Com isso, a Anfavea também revisou sua projeção para o mercado externo, de expansão de 7,2% para 35,6%. Com isso, a associação espera agora que 2017 termine com a exportação de 705 mil unidades, ante projeção anterior de 558 mil unidades.

Em relação ao mercado interno, no entanto, a projeção foi mantida em alta de 4%, com a venda de 2,133 milhões de unidades. Para veículos leves, a previsão é de expansão 4% e, para os pesados, de 6,4%.

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Apesar da manutenção, o presidente da Anfavea, Antonio Megale, admitiu há pouco que as projeções para o mercado interno podem ser alteradas nos próximos meses. Segundo ele, o viés é de alta para veículos leves e de baixa para os pesados. 

Por segmento, os automóveis e comerciais leves, juntos, somaram 203,2 mil unidades produzidas em junho, avanço de 14,8% em relação a junho do ano passado, mas retração de 15,7% ante o volume do mês anterior. No acumulado do ano, de janeiro a junho, a expansão é de 23,7%, para 1,217 milhão de unidades.

Entre os pesados, foram 6,8 mil caminhões produzidos em junho, crescimento de 22% ante igual mês de 2016, mas retração de 10,3% sobre o volume de maio. O segmento acumula expansão de 15,3% no primeiro semestre, com a produção de 36 mil unidades.

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No caso dos ônibus, as montadoras produziram 2,2 mil unidades no sexto mês de 2017, avanço de 22,6% sobre o resultado de igual mês do ano passado e de 4,9% em relação a maio. No ano, o segmento acumula expansão de 7,9%, para 9,9 mil unidades.

Apesar da alta na produção, as demissões continuam nas montadoras. Só em junho, 340 vagas de emprego foram eliminadas. Considerando os últimos 12 meses, são 6.362 vagas a menos. Com isso, a indústria conta hoje com 121.599 funcionários, recuo de 5% em relação ao nível de junho do ano passado. 

Apenas em junho, a venda de veículos novos alcançou 194,9 mil unidades, alta de 13,5% em comparação com igual mês do ano passado, mas queda de 0,3% sobre o resultado de maio. No primeiro semestre, o mercado sobe 3,7% em relação a igual período do ano anterior, para 1,019 milhão de unidades.

Por segmento, as vendas de automóveis e comerciais leves, juntos, somaram 189,4 mil unidades em junho, expansão de 13,7% em relação a igual mês de 2016, porém recuo de 0,5% ante o volume do mês anterior. Com isso, os emplacamentos destes dois segmentos acumulam, de janeiro a junho, avanço de 4,3% sobre igual intervalo do ano passado, para 993 mil unidades.

Entre os pesados, foram 4.218 caminhões vendidos no sexto mês do ano, alta de 0,4% ante igual mês do ano passado e de 2,8% sobre o resultado de maio. Contudo, no acumulado do ano, o segmento amarga retração de 16,1%, para 21,4 mil unidades.

No caso dos ônibus, as montadoras venderam 1,2 mil unidades em junho, crescimento de 27,6% sobre o resultado de igual mês do ano passado e de 17,4% em relação a maio. No entanto, o segmento acumula queda de 13,8% no primeiro semestre, com a venda de 4,9 mil unidades.

Com os resultados, os pátios das montadoras e das concessionárias terminaram junho com 222,7 mil veículos em estoque. O volume é suficiente para 34 dias de demanda, considerando o ritmo de vendas registrado em junho. Um mês antes, o número de veículos encalhados era de 229,2 mil, suficiente para 35 dias de vendas, também considerando o ritmo de junho. Segundo a Anfavea, o ideal é que os estoques sustentem cerca de 30 dias de vendas.

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