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Produção estagnada há três anos leva Petrobrás a criar plano de emergência.

SERGIO TORRES, SABRINA VALLE/RIO - O Estado de S.Paulo

01 Julho 2012 | 03h 07

Em 2009, freada na produção; principais áreas da Bacia de Campos têm excesso de água no petróleo extraído e resultados da estatal não acompanham alta do consumo

A produção nacional de petróleo está estagnada há três anos e desde 2003 a Petrobrás fracassa em atingir as suas metas de extração de petróleo e gás. A origem do problema está na queda de eficiência operacional da Bacia de Campos, a principal do País, responsável pela produção de até 85% do petróleo consumido internamente. O nível de eficiência na bacia caiu de 90% para 70% em três anos, de acordo com diagnóstico reservado da própria Petrobrás.

A constatação levou a nova direção da estatal a montar um plano emergencial na tentativa de recuperar os níveis perdidos. Além da queda de eficiência na capacidade de processamento e produção, grandes áreas produtoras da Bacia de Campos, como o Campo de Marlim, passaram a produzir uma quantidade maior de água. É normal, na produção de petróleo, serem extraídos água, óleo e gás. Mas o ideal é uma proporção menor de água. Os técnicos da Petrobrás estão avaliando o que está ocorrendo em Campos.

A produção de petróleo na bacia, que se estende por cerca de 100 mil quilômetros quadrados, do litoral sul do Espírito Santo ao norte do Estado do Rio, estancou em 2009, quando atingiu 1,69 milhão de barris diários, contra 1,54 milhão no ano anterior. Desde então, esse recorde não foi superado.

A derrocada produtiva em Campos pode ser apontada como uma das causas da crise que atinge a Petrobrás. As metas de produção estipuladas pela estatal não são atingidas há nove anos, em parte porque desabou o índice de eficiência das unidades de Campos.

Incômodo. A queda da eficiência operacional pode ser traduzida da seguinte forma: as unidades da bacia que historicamente produziam até 90% da capacidade passaram a produzir 70%, sem que a petroleira tenha conseguido reverter esse decréscimo ao longo dos últimos anos.

O tema incomoda tanto a cúpula da estatal que, ao tomar posse, no início de fevereiro, a presidente Graça Foster determinou como prioridade número um de sua gestão a recuperação da Bacia de Campos.

Foi implementado o Programa de Aumento da Eficiência Operacional (Proef), específico para a bacia. Uma das tarefas do programa é reduzir a produção de água em campos importantes como Marlim Leste e Roncador, dois dos cinco chamados "campos gigantes" da bacia. Sob essa denominação a estatal classifica campos com reservas acima de 1 bilhão de barris.

Em maio, quando foi divulgado o balanço da Petrobrás referente a 2011, os diretores José Formigli (Exploração e Produção) e Almir Barbassa (Finanças) referiram-se em pronunciamentos públicos, teleconferências e entrevistas ao que chamaram de "ineficiência" da companhia e às providências tomadas com o objetivo de reverter esse quadro.

A presidente Graça voltou a falar na última segunda-feira, em explanação sobre o Plano de Negócios 2012-2016, recém-lançado pela Petrobrás, sobre os problemas da produção em Campos. "É preciso urgentemente que aumentemos a eficiência operacional da Bacia de Campos", disse ela.

A quantidade de óleo extraído na bacia em maio passado (1,67 milhão de barris diários), divulgada pela Petrobrás, confirma a estagnação, justamente no momento em que o País mais precisa de petróleo, por causa do crescimento do consumo no mercado interno e o consequente aumento das importações dos derivados, especialmente gasolina, como forma de evitar o desabastecimento.

1. A produção de petróleo na bacia de Campos estancou em 2009, quando atingiu 1,69 milhão de barris diários, contra 1,54 milhão em 2008. Desde então, esse recorde não foi superado

2.A queda da eficiência operacional pode ser traduzida da seguinte forma: as unidades da bacia que historicamente produziam até 90% da capacidade passaram a produzir 70%, sem que a petroleira tenha conseguido reverter esse decréscimo.

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