Filipe Araujo/Estadão
Filipe Araujo/Estadão

Produção industrial cai em oito dos 14 locais pesquisados em março

Em são Paulo, a retração foi de 1,7%, mas em relação ao ano passado houve aumento de 0,9%; parque paulista opera 26,2% abaixo do pico registrado em março de 2011

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2017 | 09h18

RIO -  A produção industrial recuou em oito dos 14 locais pesquisados na passagem de fevereiro para março, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física Regional, divulgados há pouco pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No principal parque industrial do País, São Paulo, a retração foi de 1,7%. Em relação ao mesmo mês do ano passado houve aumento em oito dos 15 locais pesquisados, em São Paulo, a elevação foi de 0,9%. 

As maiores quedas foram registradas por Santa Catarina (-4,0%, que interrompeu quatro meses consecutivos de taxas positivas), Ceará (-3,1%), Paraná (-2,9%), Minas Gerais (-2,8%) e Pará (-2,7%). As demais reduções foram verificadas no Rio Grande do Sul (-1,2%) e Espírito Santo (-0,7%). Pernambuco registrou estabilidade (0,0%), enquanto houve avanço no Amazonas (5,7%), Bahia (2,0%), Rio de Janeiro (0,7%), Goiás (0,5%) e Região Nordeste (0,1%). Na média nacional, a indústria encolheu 1,8% em março ante fevereiro.

Comparação anual.  Na comparação anual, os avanços mais intensos ocorreram em Goiás (8,0%) e Rio Grande do Sul (7,4%), impulsionados, principalmente, pelo crescimento dos setores de produtos alimentícios (carnes de bovinos, leite e derivados de soja) na indústria goiana; e de bebidas (vinhos de uvas) e máquinas e equipamentos (tratores agrícolas e máquinas para colheita) no parque industrial gaúcho. Os demais resultados positivos foram verificados no Rio de Janeiro (6,1%), Santa Catarina (5,9%), Paraná (4,9%), Espírito Santo (2,4%) e Minas Gerais (2,4%).

Na direção oposta, Amazonas (-7,3%) teve o recuo mais acentuado em março de 2017, pressionado pelos setores de bebidas (preparações em pó para elaboração de bebidas) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (óleo diesel, naftas para petroquímica e gasolina automotiva). Também houve retração na Bahia (-4,3%), Ceará (-3,8%), Pará (-2,6%), Região Nordeste (-2,5%), Pernambuco (-0,8%) e Mato Grosso (-0,3%).

Na média nacional, a indústria avançou 1,1% em março ante março de 2016. O IBGE lembra que março de 2017 teve um dia útil a mais do que março de 2016, o que ajudou no desempenho industrial no período.

São Paulo.  Após um recuo de 1,7% na produção registrado em março ante fevereiro, o parque industrial paulista já opera 26,2% abaixo do pico registrado em março de 2011, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física Regional, divulgados nesta terça-feira, 9, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A indústria de São Paulo trabalha atualmente no mesmo patamar de outubro de 2003, ou seja, 15 anos atrás. O estado responde por cerca de um terço da produção do País. "A indústria de São Paulo ameaçou que se recuperaria até julho de 2016, mas voltou a recuar até março deste ano", lembrou Rodrigo Lobo, analista da Coordenação de Indústria do IBGE.

Segundo ele, o ensaio de retomada foi frustrado como reflexo do enfraquecimento industrial local e da ausência de demanda, devido a fatores conjunturais que se sobressaem ao corte na taxa básica de juros e ao arrefecimento da inflação.

"A queda na taxa de juros não foi repassada para as pessoas que tomam crédito. As taxas permanecem elevadas. O desemprego permanece negativo, a massa salarial como um todo permanece deprimida", apontou Lobo. "Tem uma conjuntura que impede um movimento mais consistente da evolução da produção industrial. São lampejos apenas", completou.

O mau desempenho de São Paulo é preocupante por conta da diversificação do parque industrial local. A indústria paulista possui 18 atividades com pesos equilibrados, nenhuma capaz de puxar sozinha uma recuperação, como ocorre nos locais investigados em que houve avanço em março, lembrou Lobo.

"Como não há nenhuma atividade de destaque, a indústria paulista reflete uma lógica de estagnação econômica. Há taxas positivas muito incipientes, não há conjuntura ainda clara favorável para justificar uma recuperação da indústria paulista", avaliou o pesquisador do IBGE.

No primeiro trimestre, São Paulo teve ligeiro avanço de 0,1% ante o mesmo trimestre do ano passado, devido ao crescimento de dez atividades, mas recuo de outros oito setores. Os principais impactos positivos foram dos setores de automóveis, equipamentos de informática e máquinas e equipamentos.

Em março, a indústria paulista teve aumento de 0,9% na produção ante o mesmo mês de 2016. No mesmo período, outros sete locais pelo País registraram avanços.

"É muito mais em função de uma base baixa do que em função de uma melhoria conjuntural da economia brasileira ou da indústria como um todo", disse Lobo. "Não é difícil crescer quando a gente compara com base muito deprimida", concluiu.

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