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Produção industrial despenca 12,4%, a maior queda para novembro desde 2003

Recuo é o 21º seguido e foi registrado na comparação com o mesmo mês do ano anterior; em 2015, queda acumulada é de 8,1%

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Idiana Tomazelli,
O Estado de S. Paulo

07 Janeiro 2016 | 09h43

Atualizado às 11h43

RIO - A produção industrial caiu 12,4% em novembro de 2015, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, de acordo com estudo divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já é a 21ª taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação, e a mais acentuada desde abril de 2009, quando a indústria teve queda de 14,1%. Se for considerar apenas os meses de novembro, esse foi o pior desempenho da série, iniciada em 2003.

Em relação a outubro, na série com ajuste sazonal, a indústria apresentou queda de 2,4%, resultado pior do que o esperado por 30 analistas consultados pelo AE Projeções, que esperavam desde queda de 1,83% a avanço de 0,80%, com mediana de negativa em 0,90%. Essa queda foi a sexta consecutiva, uma sequência inédita na pesquisa iniciada em 2002. "Nunca se tinha visto uma sequência tão grande", disse André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

No ano, a produção industrial acumula queda de 8,1% até novembro, o pior resultado para o período desde 2009, quando houve queda de 9%.

A maior influência negativa na comparação entre novembro de 2015 e novembro de 2014 veio de veículos automotores, reboques e carrocerias, que apresentaram queda de 35,3%. A baixa se deu pela redução na produção de automóveis, caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques, veículos para transporte de mercadorias, reboques e semirreboques, carrocerias para ônibus e caminhões e autopeças.

Atividades. Segundo o IBGE, 14 das 24 atividades analisadas tiveram queda de outubro para novembro de 2015. A maior pressão veio da indústria extrativa, cuja atividade recuou 10,9% no período, apontou o órgão.

"O setor extrativo foi afetado pela greve de petroleiros, e numa escala bem maior, pelo desastre em Mariana. O acidente afetou a produção de minério de ferro, tanto bruto quanto pelotizado, e traz impacto bastante significativo", afirmou Macedo.

O segundo maior impacto negativo veio da produção de derivados de petróleo e biocombustíveis, que recuou 7,8% em novembro ante outubro. Segundo o IBGE, esse setor também foi impactado pela greve dos petroleiros.

Também tiveram recuos significativos as atividades de produtos alimentícios (-2,2%), minerais não metálicos (-3,5%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e óticos (-6,0%) e farmacêutica (-3,9%).

Alta. No sentido contrário, a alta de 1,3% na produção de veículos em novembro ante outubro foi destaque. Porém, o número não causa entusiasmo, uma vez que não compensa sequer a perda vista em outubro ante setembro, quando houve queda de 3,1%, ressaltou Macedo. Além disso, o setor já vinha em retração desde agosto, período em que acumulou perda de 19,2% e os principais produtos continuam no vermelho. "Automóveis e caminhões mostram queda na passagem de outubro para novembro. A alta é mais relacionada à parte de autopeças", disse Macedo.

"Muito desse resultado positivo se deve claramente a uma base de comparação muito depreciada. O setor ainda mantém estoques acima de seu padrão habitual e, por isso, apresenta redução de jornadas de trabalho, cortes de turnos e adoção de lay-off (suspensão temporária de contratos)", acrescentou.

A atividade de metalurgia também teve melhora na passagem do mês, com alta de 1,4%. A produção de bebidas também subiu 1,4% no período.

Bens de capital. A produção  da indústria de bens de capital também despencou em novembro de 2015 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, com queda de 31,2%. No acumulado do ano, a queda foi de 25,1% em relação ao mesmo período de 2014. Já no acumulado em 12 meses até novembro, o recuo é de 24,1%.

Na categoria de bens de consumo duráveis, o mês de novembro foi de redução de 3,2% na produção ante outubro e de queda de 29,1% em relação a igual mês de 2014. Entre os semiduráveis e os não duráveis, a produção subiu 0,4% em novembro ante outubro e recuou 4,8% na comparação com novembro do ano passado.

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