Filipe Araujo/Estadão
Filipe Araujo/Estadão

Indústria brasileira cresce pelo segundo mês seguido

Alta em outubro foi de apenas 0,2%, mas analistas afirmam que avanço é consistente; crescimento ante mesmo mês de 2016 chegou a 5,3%

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2017 | 09h21

RIO - A indústria brasileira manteve em outubro a tendência de melhora de ritmo, embora ainda gradual. A produção industrial avançou 0,2% em relação a setembro, segundo os resultados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados nesta terça-feira, 5, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado confirmou a avaliação de analistas de que há uma retomada do setor industrial ainda a passos lentos, porém consistente. O crescimento é o segundo consecutivo – de agosto para setembro a alta foi de 0,3%. A fabricação de remédios e bebidas puxou a alta da indústria em outubro, mas houve avanços em 15 dos 24 segmentos pesquisados.

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“É um crescimento muito baixo, mas a disseminação é favorável. Por mais que o aumento na produção não seja vigoroso, ele está se espalhando, o que abre a possibilidade de um processo de retroalimentação do crescimento.

A alta de um setor gera demanda para outro, o que pode dar mais vigor a essa recuperação”, contou Rafael Cagnin, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

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Na comparação com outubro de 2016, a alta na indústria foi de 5,3%, a mais acentuada desde abril de 2013. Das 26 atividades pesquisadas, 22 aumentaram a produção. A base de comparação baixa e a ocorrência de um dia útil a mais em outubro deste ano ajudaram, mas o bom desempenho é inegável, disse André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

“Os resultados dão uma clara sensação de melhora de ritmo da produção industrial. Mas não quer dizer que a melhora tenha revertido as perdas anteriores”, relativizou Macedo.

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A indústria operava em outubro 17,2% abaixo do pico de produção de junho de 2013, em patamar semelhante ao de fevereiro e março de 2009, época da crise financeira internacional. “É claro que esse distanciamento para o pico já foi maior, no início de 2016 ultrapassava os 20 pontos porcentuais. Há melhora”, ressaltou Macedo.

A retomada está estabelecida, mas o vigor pode ficar mais evidente apenas em 2018, segundo o economista-chefe da Brasil Plural Asset Management, Paulo Val. “O desemprego está caindo, a renda está melhorando e a alavancagem das famílias está diminuindo. A demanda está ganhando vigor e isso acaba se traduzindo em produção.”

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Exportação. Os setores com resultados mais positivos têm recebido impulso adicional das exportações, como veículos, calçados, metalurgia, máquinas e equipamentos, além de exportadores tradicionais, como o setor de celulose. “Tem uma combinação de mercado externo e melhora recente da demanda doméstica”, disse Macedo.

O pesquisador do IBGE pondera que indicadores econômicos do País melhoraram, mas estão distantes do patamar pré-crise: aumentou o número de trabalhadores ocupados, mas a geração de postos de trabalho ainda é calcada na informalidade; o crescimento da massa de rendimento é positivo, mas ainda longe de superar as perdas dos anos anteriores.

Macedo chamou atenção para o fato de o crescimento de 1,9% na produção industrial de janeiro a outubro ter ocorrido sobre base de comparação baixa: no mesmo período do ano passado, a indústria teve perda de 7,4%.

Mais otimista, a Tendências Consultoria Integrada espera manutenção da gradual expansão da atividade industrial nos últimos dois meses de 2017, com maior velocidade em 2018. 

“Tal perspectiva está subsidiada, em grande medida, na ampliação das vagas, estoques em níveis ajustados e pelo ciclo de expansão da confiança industrial. O processo de retomada da demanda doméstica também é vetor importante para que a atividade industrial mantenha sua trajetória de crescimento”, avaliou o analista Thiago Xavier, da Tendências. / COLABOROU MARIA REGINA SILVA

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