Projeção cambial para 2018 reflete a retomada

O déficit nas transações correntes do ano é estimado em US$ 18,4 bilhões, muito abaixo dos US$ 30 bilhões da projeção anterior

O Estado de S.Paulo

28 Dezembro 2017 | 03h00

Faltando apenas as estatísticas de dezembro, constata-se que o comportamento das contas cambiais foi muito favorável em 2017 – e as projeções do Banco Central (BC) indicam que essa situação persistirá em 2018. O déficit nas transações correntes do ano é estimado em US$ 18,4 bilhões, muito abaixo dos US$ 30 bilhões da projeção anterior. Parecem afastadas, assim, turbulências cambiais no ano eleitoral. Haverá apenas, como se depreende da nota cambial de novembro, uma acomodação às condições mais satisfatórias da economia, que se recupera.

É normal que nesse ambiente de retomada as importações cresçam mais rapidamente para atender ao aumento da demanda. O principal é que também as exportações deverão continuar crescendo.

Em novembro, o déficit em conta corrente foi de US$ 2,4 bilhões e o BC prevê que o total do ano fique em apenas US$ 9,2 bilhões, menos de 40% do déficit de 2016. Nas projeções para 2018, o saldo da balança comercial (diferença entre exportações e importações) deverá continuar alto, de US$ 59 bilhões, mas inferior ao de 2017, estimado em US$ 64 bilhões. As importações de 2018 deverão atingir US$ 166 bilhões, contra US$ 153 bilhões neste ano.

Em 2017, o déficit em conta corrente foi plenamente financiado por investimentos. Isso ocorreu tanto em novembro, quando entraram US$ 5 bilhões líquidos, como no período janeiro-novembro, quando o ingresso de investimento direto no País (IDP) atingiu US$ 65 bilhões. Essa situação tende a persistir em 2018, quando o BC prevê um IDP de US$ 80 bilhões, mais de quatro vezes superior ao déficit corrente. O BC estima entrada líquida de US$ 5 bilhões no mercado acionário, superando os US$ 3 bilhões de 2017. Isso deverá ser positivo para a bolsa, que depende dos investidores estrangeiros.

O crescimento da economia também aparece na conta turismo, medida pela conta de viagens internacionais. As despesas de US$ 12 bilhões em 2017, até novembro, superaram em 60%, ou US$ 4,5 bilhões, as de igual período de 2016 e são estimadas em US$ 17,3 bilhões em 2018. É sinal evidente de que as pessoas terão mais recursos para gastar.

Com reservas de US$ 370 bilhões e maior dinamismo no comércio exterior, o País parece pronto para mais um ano de equilíbrio cambial.

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