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Projeção do mercado para a inflação atinge o teto da meta para 2017

Analistas consultados para o Relatório Focus, do Banco Central, esperam inflação de 6% em 2017 e de 7,56% este ano

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Célia Froufe,
O Estado de S.Paulo

10 Fevereiro 2016 | 12h36

BRASÍLIA - Após o IPCA de janeiro vir acima do teto do intervalo das estimativas, o mercado financeiro promoveu nova revisão de suas projeções para a inflação no Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta quarta-feira, 10, pelo Banco Central. 

Para 2017, a mediana das projeções avançou de 5,80% para 6,00% e ante 5,20% de quatro edições atrás do levantamento. Com esse movimento, a previsão do mercado atingiu o teto de 6% da meta do ano que vem. Essa barreira, no entanto, já foi ultrapassada em muito pelo grupo Top 5 de médio prazo, que desta vez diminuíram a projeção de 7,19% para 6,40%. Um mês antes, essas instituições apontavam para um IPCA de 5,50%.

Para este ano, a taxa esperada subiu 0,30 ponto porcentual de uma semana para a outra, passando de 7,26% para 7,56% e distanciando-se ainda mais do teto da meta de inflação deste ano de 6,50%. Quatro semanas atrás, estava em 6,93%. Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do índice no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das expectativas passou de 7,79% para 8,13% - um mês antes, estava em 7,49%.

Os preços monitorados ou administrados pelo governo não serão tão vilões para a inflação como foram no ano passado, ao subirem 18,07%, mas estão longe de serem os mocinhos do IPCA deste ano. De acordo com o Focus, analistas estimam que esse conjunto de preços terá alta de 7,70% em 2016, a mesma previsão da edição anterior - um mês atrás, estava em 7,50%. No caso de 2017, a mediana das expectativas permaneceu em 5,50% pela nona semana consecutiva.

De acordo com o último Relatório Trimestral de Inflação, divulgado em dezembro, o BC projeta que a inflação encerre este ano em 6,2% no cenário de referência e em 6,3% pelo de mercado. Para 2017, a estimativa da autoridade monetária está em 4,8% pelo cenário de referência e é de 4,9% pelo de mercado. Na ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), a instituição informou que houve aumento desses porcentuais nos dois casos em ambos cenários. 

Essa piora das previsões para a inflação foi acentuada depois de o IPCA de janeiro vir mais salgado, mas teve início após uma semana tumultuada para a política monetária. No primeiro dia do primeiro encontro do Copom deste ano, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, fez um comentário surpresa sobre as novas estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste e do próximo ano. A ação seguinte do colegiado foi a manutenção dos juros básicos da economia em 14,25% ao ano. 

Até o comentário de Tombini, a expectativa maciça do mercado financeiro era de alta de 0,50 ponto porcentual da Selic. A decisão do Copom foi dividida por seis votos pela manutenção contra dois pela alta imediata dos juros para 14,75% ao ano.

Juros. Os analistas do mercado financeiro não mexeram mais nas estimativas para a Selic em 2016 e corrigiram as do ano que vem. De acordo com o levantamento realizado com aproximadamente 120 instituições, a taxa básica de juros permanecerá nos atuais 14,25% ao ano até o encerramento de 2016, como já constava na edição anterior do documento. Um mês antes, a aposta era de taxa de juros a 15,25% no encerramento do ano.

Para 2017, a mediana das previsões das instituições participantes caiu de 12,75% ao ano para 12,50% de uma semana para a outra - quatro levantamentos atrás já estava em 12,75%. Com essas informações, a Selic média de 2016 permaneceu em 14,25% ao ano, como já constava no boletim anterior. Um mês atrás estava em 15,38%. No caso de 2017, a média passou de 13,00% para 12,96% no período - quatro semanas antes estava em 13,19%.

PIB e dólar. Pioraram as projeções do mercado financeiro para o Produto Interno Bruto (PIB) para este ano e para 2017, que mostram uma expectativa de recuperação ainda menor. A mediana das estimativas no Relatório de Mercado Focus foi ajustada de -3,01% para -3,21% para 2016 - há quatro semanas, a aposta era de uma queda menor, de 2,99%. Para 2017, a expectativa é mais otimista, de expansão de 0,60%.

Mesmo com as incertezas sobre o desenvolvimento da economia internacional e doméstica, analistas do mercado financeiro quase não corrigiram suas expectativas para o comportamento cambial no encerramento de 2016 e de 2017. A mediana das estimativas aponta para uma cotação de R$ 4,35, a mesma vista na semana passada - um mês antes, estava em R$ 4,25. Com isso, o câmbio médio de 2016 ficou inalterado em R$ 4,20 de uma semana para outra - um mês antes, estava em R$ 4,14. A perspectiva do mercado financeiro para o câmbio de 2017 também permaneceu em R$ 4,40 no boletim Focus.

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