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Projeta-se mais um ano ruim para o comércio

Este ano começa mal para o comércio varejista, mesmo com muitos estabelecimentos trabalhando com estoques baixos, menos pessoal e margens de lucro mais apertadas em razão de promoções e descontos. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Executivos do Varejo (Ibevar) e do Programa de Administração do Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar/Fia) projeta uma queda real de pelo menos 1,5% das vendas do comércio no conceito ampliado (inclui veículos e materiais de construção) no primeiro trimestre de 2016 em comparação com igual período do ano passado.

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16 Janeiro 2016 | 02h55

A pesquisa apurou que o consumidor de São Paulo pretende gastar 33% menos com a compra de bens duráveis nos três primeiros meses deste ano do que gastou no mesmo período de 2015, apesar da inflação de 10,67% em um ano.

Seria arriscado estender a projeção para todo o ano, mas as perspectivas são notoriamente ruins, pois a previsão é que o PIB volte a cair, com repercussões sobre o emprego e a massa salarial, que deve continuar sendo corroída por uma inflação alta. O que pode haver, como ocorreu em 2015, são pequenos surtos de melhora em um mês em relação ao anterior por causa de eventos ou de aumentos esporádicos de rendimentos, como o pagamento do 13.º salário.

Foi o que ocorreu em novembro do ano passado. Segundo a mais recente pesquisa mensal do IBGE, houve crescimento de 1,5% nas vendas do comércio em geral naquele mês em relação a outubro, descontados os efeitos sazonais. O dado não chega a ser animador, pois as vendas em novembro, em comparação com o mesmo mês de 2014, diminuíram 7,8% no conceito restrito e 13,2% no conceito ampliado.

Foi a queda acentuada das vendas do comércio em outubro, baixando a base de comparação, que favoreceu o desempenho em novembro. De acordo com a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP), as vendas do comércio varejista no Estado recuaram 10,2% em outubro, notando-se que o consumidor vem fazendo seu próprio ajuste doméstico, limitando suas compras a itens essenciais.

O fenômeno não se limita a São Paulo. O levantamento do IBGE mostra que, feita a comparação dos dados de novembro de 2015 com os do mesmo mês de 2014, o comércio varejista acusou variações negativas em 26 das 27 unidades da Federação. O único aumento de vendas (4%) verificou-se em Roraima.

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