Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Projetos de ferrovia disputam a safra do Centro-Oeste

Governo deverá fazer entre agosto e setembro consulta pública para licitação da Ferrogrão, que tem as grandes comercializadoras de grãos como sócias

Cristiane Barbieri e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

17 Julho 2017 | 05h00

Investidores nacionais e estrangeiros estão se mobilizando para tirar do papel projetos ferroviários para o escoamento da soja do Centro-Oeste. Anunciada como uma alternativa para levar a soja pela região Norte do País, a Ferrogrão, projeto idealizado pelas tradings (comercializadoras agrícolas) e que está em busca de sócios para sair do papel, ganhou um competidor. A Rumo ALL, do grupo Cosan, avalia fazer uma extensão de 600 km de sua malha em Mato Grosso – de Rondonópolis a Sorriso –, apurou o Estado.

O Brasil é um dos principais produtores globais de grãos, mas apresenta uma enorme carência de infraestrutura para escoar sua produção até os portos. A BR-163, que liga o Centro-Oeste ao Norte do País, é um poço de problemas. Em um trecho de quase 200 km sem asfalto, caminhões atolam durante o pico da safra, causando atrasos e prejuízos milionários. 

Idealizada pelas tradings ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus e AMaggi, com a empresa nacional EDLP, a Ferrogrão é um projeto de R$ 12,6 bilhões apontado como a única alternativa eficiente para escoar a safra pelo Norte. A ferrovia, cuja consulta pública deverá ser feita entre agosto e setembro, deverá ser construída ao lado da BR-163, com a promessa de reduzir o custo do transporte dos grãos do cerrado pela metade.

“A Ferrogrão só depende de seus acionistas para dar certo”, diz Tarcísio Freitas, secretário de coordenação de projetos da Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). 

Freitas afirma que o governo criou uma linha de financiamento exclusiva do BNDES para a Ferrogrão, além da vantagem de o início da concessão passar a valer a partir da aprovação das licenças ambientais.

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