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Quase 60 milhões de brasileiros estão com o nome sujo

Número representa 28,8% da população brasileira e 39,6% das pessoas com idade entre 18 e 95 anos; apenas em março, mais 800 mil consumidores entraram para os cadastros de negativados

Francisco Carlos de Assis, O Estado de S. Paulo

11 Abril 2016 | 09h24

SÃO PAULO - O total de pessoas com o nome sujo no País subiu de 54,5 milhões em fevereiro para 58,7 milhões em março, segundo estimativas da SPC Brasil e da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL). Para se ter ideia da grandeza deste número, ele representa 28,8% de toda a população brasileira estimada em cerca de 204 milhões e 39,64% da população com idade entre 18 e 95 anos.

Somente na passagem de fevereiro para março, mais 800 mil consumidores entraram para os cadastros dos serviços de proteção ao crédito como inaptos para adquirir novos financiamentos. Agora, segundo a pesquisa, já remonta a 4,2 milhões o número de pessoas que ficaram com seus nomes sujos desde dezembro do ano passado. Trata-se de um aumento de 23,53% sobre o total de 3,4 milhões de Cadastros de Pessoas Físicas (CPF) negativados entre dezembro de 2015 e fevereiro deste ano.

Os presidentes da SPC Brasil e da CNDL, Roque Pellizzaro Júnior e Honório Pinheiro, chamam a atenção para o fato de que mesmo diante da dificuldade de negativação dos inadimplentes no Estado de São Paulo, por conta da Lei Estadual 16.569/2015, o número de consumidores registrados em cadastros de devedores segue em crescimento no território nacional.

Regiões. Quando desagregado por regiões, verifica-se que é na região Nordeste que se encontra o maior número de pessoas negativadas, perfazendo um contingente de 15,7 milhões de CPF sem condições de fazer qualquer compra a prazo. Em porcentual da população adulta, este número representa 40,02% do total, contra 36,21% da região Sul.

Por outro lado, é a região Centro-Oeste que tem o menor número absoluto de negativados: 4,8 milhões. O número, contudo, representa um porcentual relativamente alto do total da população adulta, de 42,85%. O número é superado apenas pela região Norte, onde 46,35% dos moradores estão inadimplentes e registrados em cadastros de devedores.

Base SPC. Considerando apenas os dados da base da SPC Brasil, em março a região Norte mostrou um crescimento do número de devedores de 1,2% na comparação com fevereiro. A alta representa a segunda maior variação para o mês em toda a série histórica, iniciada em 2010. Ficou abaixo apenas do resultado de março de 2011, com expansão de 1,69%. Na comparação com  março de 2015, o aumento de inadimplentes negativados cresceu 4,23%, configurando uma aceleração frente à alta de fevereiro, de 3,26%, na comparação com o mesmo mês no ano passado.

Na região Nordeste, o número de pessoas físicas inadimplentes deu um salto de 1,45% na passagem de fevereiro para março, a maior variação para o mês desde 2012. Frente a março de 2015, houve crescimento de 8,09% no número de devedores, segunda aceleração mensal consecutiva, já que, conforme se verifica no banco de dados da SCPC, o indicador mostrou altas de 6,86% em janeiro e 7,69% em fevereiro.

Entre as quatro regiões consideradas no estudo, o Nordeste mostrou a maior alta anual do indicador pelo 8º mês consecutivo. Os dados da Região Sudeste não foram considerados no estudo, já que estão suspensos devido à entrada em vigor da Lei Estadual 16.569/2015, que dificulta a negativação de inadimplentes em São Paulo.

O número de devedores no Centro-Oeste cresceu 0,62% de fevereiro para março deste ano, anulando a retração de 0,61% mostrada em fevereiro. Na comparação anual, a quantidade de pessoas inadimplentes mostrou alta de 4,64%, desacelerando frente a alta de 5,19% em fevereiro em relação ao mesmo mês em 2015.

No Sul, o número de devedores registrou alta de 0,76% em março comparativamente a fevereiro e de 0,30% em relação ao número de inadimplentes em janeiro. Sobre março do ano passado, houve alta de 3,10%, primeira aceleração do indicador em seis meses. O crescimento do número de inadimplentes da região vinha perdendo fôlego desde setembro de 2015, quando a alta registrada foi de 6,30%.

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