Marcio Fernandes de Oliveira /Estadão
Marcio Fernandes de Oliveira /Estadão

Quatro décadas de dedicação à Helbor

Fundador da incorporadora, Henrique Borenstein é o homenageado neste ano

João Carlos Moreira, Especial para O Estado

13 Junho 2017 | 22h30

A economia brasileira, em 1977, convivia com inflação anual na casa dos 40%. O financiamento para quem estivesse interessado na compra de um imóvel era difícil e de curto prazo, no máximo 36 meses, e a renda exigida limitava demais o acesso à aquisição da casa própria. Para construtoras, o crédito também não era fácil, e a venda na planta engatinhava.

O cenário desfavorável não desencorajou Henrique Borenstein. Acostumado a atuar desde jovem em segmentos tão distintos como salas de cinema, venda de móveis ou veículos e bancos, ele decidiu que era o momento de fundar sua incorporadora em Mogi das Cruzes, cidade da Grande São Paulo onde a família já mantinha negócios.

O propósito da criação da Helbor era desenvolver empreendimentos como complemento às atividades da família e administrar o aluguel dos imóveis que herdara do patriarca, Hélio Borenstein. “Usávamos recursos próprios para erguer os empreendimentos. Fomos crescendo aos poucos”, conta Henrique, hoje com 81 anos, escolhido como personalidade homenageada do Top Imobiliário.

O crescimento foi contínuo e logo a incorporadora passou a atuar em outras cidades, mas manteve raízes em Mogi das Cruzes. A cidade, aliás, entrou por acaso na vida dos Borenstein. Quando deixou a Rússia em direção ao Brasil em 1917, o imigrante Hélio Borenstein tinha como destino a cidade de Jacareí, mas por engano acabou desembarcando do trem em Mogi, vindo do Rio de Janeiro. Decidiu ficar por lá mesmo, começou a trabalhar e fez família.

 

O filho Henrique nasceu em 1931. Começou os estudos em escolas públicas de Mogi e deu continuidade, em São Paulo, no Liceu Pasteur e no Mackenzie, onde se formou em economia.

 

A vida de trabalho teve início em negócios da família: foi lanterninha e bilheteiro nos cinemas que o pai construíra, vendedor de móveis e em concessionária de caminhões. Nos anos 1960, aproximou-se do banco BCN por causa da venda de veículos. Buscava financiamento para seus clientes e, quando vendeu a concessionária, tornou-se sócio do banqueiro Pedro Conde no BCN e virou diretor da instituição. Em 1977, criou a Helbor. Como o pai havia morrido em 1964, fez questão de homenageá-lo batizando a incorporadora com as sílabas iniciais de Hélio Borenstein e levou para a empresa a visão do patriarca.

 

Henrique sempre teve estreita relação com o setor imobiliário, já que o pai se notabilizou por construir inúmeros sobrados com lojas no térreo e alugá-los – jamais vendia os imóveis.

“Quando vimos o quanto ele nos estimulou a pensar grande, a trabalhar duro e fazer o melhor, já estávamos com dezenas de projetos entregues”, diz. Henrique levou à Helbor a visão financeira adquirida no BCN, onde permaneceu até 2008, quando a instituição foi comprada pelo Bradesco. Dono de 15% do capital do BCN, trocou os papéis a que tinha direito por títulos do Bradesco e é um dos acionistas do banco.

Os anos de banco deram à Helbor características únicas. Sempre foi marcada por estrutura enxuta e de baixo custo. Até hoje mantém sua sede em Mogi e apenas um escritório em São Paulo, aberto em 2002 na Avenida Paulista. O quadro inicial de 15 funcionários passou hoje para quase 300, mas ainda assim garante uma das menores relações de despesa administrativa/receita do setor.

Henrique optou por manter a Helbor como incorporadora, buscando parceiros para a construção dos empreendimentos. “Desde o início, busquei parcerias e profissionais de minha confiança, que pudessem nos ajudar a alcançar o crescimento seguro”, afirma. Para o empresário, essa busca compensou. “Todos eles nos ajudaram muito a chegar a esse estágio, a superar os inúmeros desafios que tivemos no caminho”, acrescenta.

Foi vencendo esses obstáculos que a empresa chegou aos lançamentos em São Paulo e hoje está em 31 cidades de 10 Estados e no Distrito Federal.

Marcos. “Já desenvolvemos 231 projetos pelo Brasil. Inúmeros se transformaram num marco em suas cidades, pela arquitetura, porte e valorização que trouxeram para o entorno e os clientes”, afirma Henrique, citando como exemplos a Casa das Caldeiras – complexo comercial e residencial na Água Branca, zona oeste de São Paulo – e o Helbor Concept, complexo multiúso com torres corporativa, office e residencial, ao lado do shopping, em Mogi das Cruzes.

A incorporadora criou conceitos de edifícios comerciais, como o Helbor Offices, e de residenciais como o Home Flex, o Trend e o My Way, mais compactos e versáteis, presentes em diversas cidades brasileiras.

Henrique viveu outro marco importante da história da Helbor em 2007, quando a incorporadora lançou ações na Bolsa de Valores, seguindo a tendência do setor naquele ano. Ele admite que houve dúvidas sobre esse movimento de abertura de capital, mas quem avalizou a decisão foi o filho Henry, então já integrado à direção da empresa e hoje oficialmente no comando da Helbor. E também nesse momento, a Helbor seguiu um modelo diferente do adotado por outras companhias, mantendo a gestão familiar mesmo numa empresa com ações negociadas no mercado.

Dono. “A Helbor é companhia de capital aberto, mas tem dono. Fazemos questão de continuar no controle, de ver tudo de perto”, diz Henrique, que hoje preside o conselho de administração. O que poderia não ser visto com bons olhos pelos investidores deu certo na Helbor, com valorização contínua das ações na empresa, que no segundo semestre vai comemorar dez anos de abertura de capital.

Casado desde 1961 com Maria de Castro Borenstein, carinhosamente chamada de Penha pela família, Henrique tem mais duas filhas – Malka e Erika – e oito netos. Sente-se realizado com a Helbor e as 23.700 unidades lançadas em sua trajetória – são apartamentos, casas e conjuntos comerciais.

“O que sempre nos revitaliza é um lançamento imobiliário. Temos terrenos para desenvolver diferentes tipos de produtos tão logo a economia dê sinais de melhora efetiva e que o imbróglio político esteja resolvido”, diz. “Nessas quatro décadas de atuação, creio que pudemos contribuir de forma expressiva para o desenvolvimento do setor imobiliário no Brasil, oferecendo oportunidades e soluções para moradia e negócios.”

Ele sente que cada entrega de empreendimento celebra a conquista dos clientes com o bem que adquiriram na planta e que recebem pronto. “Isso tudo sem contar a geração de milhares de empregos, impostos e riquezas que a construção imobiliária traz”, acrescenta.

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