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Quebra de protocolo alimenta todo tipo de especulação

Adriana Fernandes

Não há nada nas regras em vigor que impeça o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, de divulgar um comunicado para coordenar as expectativas do mercado financeiro no período de silêncio que antecede a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O período de silêncio existe para evitar informações privilegiadas a um grupo ou outro de pessoas do mercado financeiro ou da imprensa entre os dias que antecedem a reunião até a divulgação da ata do Copom.

Mesmo assim, o comunicado assinado ontem pelo presidente do BC alertando para as novas projeções do FMI de uma queda de 3,5% do PIB brasileiro quebra, de alguma forma, o protocolo e o ritual criados pelo própria autoridade monetária em torno do Copom. Mais do que isso: abriu espaço para todo tipo de especulação no mercado.

Contrariando as últimas sinalizações do BC de foco concentrado para derrubar a inflação com a arma dos juros, mesmo com elevado custo para a retomada do crescimento, Tombini – de última hora – resolveu jogar luz na recessão brasileira, apropriando-se da revisão dos dados do FMI sobre o Brasil.

É de se esperar que um BC do tamanho do brasileiro esteja bastante municiado sobre o que ocorre na economia do seu País. E não precise fazer alertas poucas horas antes da reunião com a informação de que o Copom vai usar todos os dados econômicos relevantes e disponíveis para tomar a decisão. Afinal, não tem de ser assim?

Dessa forma, não deixa de ser constrangedor que Tombini tenha manifestado surpresa e preocupação com os dados do FMI que apontam para uma recessão maior do que a prevista. Não se pode esquecer que o BC decidiu incluir no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado em dezembro, uma projeção de queda de 1,9% do PIB em 2016 – já na época apontada como ultrapassada.

Fora o visível erro de calibragem das expectativas feitas pelo BC, o que mais arranha o processo da condução da política monetária são as suspeitas de que o movimento do presidente do Banco Central representa uma rendição à pressão da ala política do governo e do PT contra o aumento do juros. Essa pressão se intensificou a ponto de petistas pedirem a sua cabeça.

Seja qual for o resultado do Copom, o presidente do BC (certo ou errado) entra para a reunião já derrotado pela dificuldade em coordenar as expectativas em torno da política monetária.

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