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Queda da indústria acentua a desaceleração do PIB

O Estado de S.Paulo

06 Junho 2014 | 04h 02

Importação de industrializados, queda da fabricação de veículos e piora do segmento de bens de capital empurraram para baixo a produção de manufaturados em abril, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). A queda foi de 0,3% em relação a março e de 5,8% em relação a abril de 2013, afetando 20 dos 24 segmentos pesquisados e as 4 grandes categorias econômicas. Os resultados foram vistos como muito negativos pelas áreas econômicas do Itaú, do Bradesco e do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Os primeiros indicadores coincidentes sugerem novas quedas na atividade.

Entre as tendências mais negativas está a do recuo generalizado dos bens de consumo - duráveis, semiduráveis e não duráveis; a queda de 21,3% da área automobilística, no quadrimestre, e de 0,5% nos bens de capital. As vendas de TVs e de cerveja evitaram um declínio ainda mais acentuado da produção.

Dado o aumento do grau de ociosidade na indústria, a consultoria LCA avalia a hipótese de que a desaceleração chegue aos preços, o que tornaria mais fácil algum recuo da inflação, no segundo semestre. Isso não afasta a perspectiva de a correção dos preços administrados pressionar a inflação após as eleições.

O declínio da produção de bens de capital e de bens associados à construção civil é, talvez, o resultado mais desanimador, pois indica recuo do investimento, já visível nos dados do IBGE sobre o PIB do primeiro trimestre.

O fato de a queda da indústria em abril ter sido inferior à média de previsões das consultorias econômicas não basta para infundir ânimo quanto ao futuro. Ao contrário, com taxas de juros altas, a confiança de empresários e consumidores dá sinais de declínio e subsistem estoques elevados, segundo especialistas. Um dos raros fatores positivos é a base de comparação, pois abril de 2014 teve dois dias úteis a menos do que abril de 2013, o que influenciou, para pior, os dados gerais.

Os bens intermediários, que mais pesam na pesquisa do IBGE, interromperam uma sequência de três meses de crescimento - item crítico da avaliação sobre o comportamento da indústria. É provável que o setor volte à recessão, neste ano, após crescer 2,4%, em 2013, sem compensar a queda de 2,6%, em 2012. É o resultado da política econômica sem foco em metas de longo prazo, cuidando apenas do dia a dia e de situações pontuais.

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