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Economia

editorial econômico

Queda das vendas de veículos supera previsões

Montadoras e revendedoras de veículos já esperavam, no fim de 2015, novas quedas nas vendas deste ano, mas não superiores a 10%. Os números relativos aos emplacamentos de janeiro divulgados pela Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos (Fenabrave) mostraram um cenário pior que o previsto, com recuo das vendas de 30% em relação a janeiro de 2015 – quando o mercado já era desfavorável ao consumo.

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11 Fevereiro 2016 | 02h55

O segmento de bens duráveis de consumo enfrenta grave crise, com destaque para os veículos. Mas a queda de vendas verificada no conjunto do setor mostra grandes variações quando se observam os vários subsetores de veículos. Entre janeiro de 2015 e janeiro de 2016, as vendas de automóveis, por exemplo, caíram 36,3%, enquanto as de veículos comerciais leves cederam 51,1%. Já as vendas de motos caíram 11,4% nas mesmas bases de comparação.

Não cabe comparar as vendas do mês passado com as de dezembro, sazonalmente um dos melhores meses do ano para a comercialização de veículos. De fato, em dezembro foram emplacadas quase 371 mil unidades, incluindo autos, comerciais leves, caminhões, ônibus, motos, implementos rodoviários e outros, número que caiu para 260,2 mil no mês passado.

A produção e as vendas de veículos vêm caindo quase sem interrupção desde fins de 2013. A questão central é a velocidade da queda, pois, na hipótese de uma repetição, em 2016, dos maus resultados de 2015, o volume de vendas de autos de passeio e comerciais leves poderia retroagir a 2003, com vendas próximas de 2 milhões de unidades. No ano passado, os licenciamentos foram de 2,57 milhões de unidades, com declínio de 26,6% em relação aos 3,5 milhões de 2014.

As vendas de veículos dependem de emprego, renda e crédito, além de confiança do consumidor – e esses elementos são hoje escassos. O crédito é evitado pelos consumidores, ainda que as linhas para veículos se incluam entre as menos onerosas (em dezembro, o custo médio desses empréstimos foi de 33,8% ao ano, abaixo da média geral de 37,9% ao ano, onde estão incluídas as operações direcionadas). Em relação a cinco anos atrás, numa conjuntura em que as montadoras operavam intensamente, as novas concessões de crédito caíram mais de 50%.

Se não houver uma reação das vendas, o setor será obrigado a fazer um ajuste mais profundo. Não bastará apenas exportar mais, como já vem fazendo.

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