BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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Queda de empregos em novembro não afeta retomada do mercado, dizem analistas

Para especialistas, contratações acima do esperado em outubro levaram a ajuste no mês seguinte

Maria Regina Silva e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2017 | 12h48

O resultado negativo do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) em novembro surpreende, mas não elimina a avaliação de que há um processo de retomada do emprego em andamento. A análise é do economista Hélcio Takeda, da Pezco. "Não para negar que está tendo uma evolução positiva do mercado de trabalho. Há recuperação, mas ainda não é robusta", diz. Segundo ele, apesar do desempenho negativo sem setores como a indústria, serviços e comércio em novembro, estão com comportamento menos desfavorável na comparação interanual.

"É um sinal importante. O número de desligamentos vem diminuindo, mas ainda não foi suficiente para deixar o saldo positivo. É típico do período. A indústria, grande contratante de mão de obra diminui nessa época do ano", avalia. O fechamento de 12.292 postos com carteira assinada em novembro ficou fora do intervalo das expectativas da pesquisa do Projeções Broadcast, que ia de abertura de 8 mil a 90 mil vagas formais.

De acordo com o economista, a sazonalidade desfavorável deve fazer com que o saldo do Caged de dezembro volte a ficar negativo em cerca de 400 mil, por ora. Com isso, o dado deve encerrar 2017 com destruição em torno de 201 mil vagas formais. Mesmo ainda desfavorável, o economista acredita que o dado do último mês deste ano pode ter um resultado menos desfavorável para um mês de dezembro desde 2010, quando o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,5% e houve a eliminação de pouco mais de 400 mil postos formais. "Não deve ficar com um número negativo tão forte quanto o de dezembro de 2016, mas pode ser um dezembro menos negativo que o de 2010", pondera. Naquela ocasião, foram fechadas 462.366 vagas. No ano passado, houve destruição de 1.321.994 postos com carteira assinada.

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Já para 2018, a Pezco estima saldo positivo de 470 mil, considerando aumento de 3,8% para o PIB. A projeção da consultoria está aquém da expectativa do ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, de criação de 1.781.930 postos com carteira assinada, levando em conta alta de 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Se o PIB crescer 3,5%, o governo prevê geração de 2.002.945 vagas. "A projeção surpreende. Não esperamos que a retomada será tão rápida, pois estamos saindo de um longo processo de desemprego. Ainda há um custo para absorver todo esse pessoal", afirma. 

LCA. O saldo líquido de emprego formal negativo em novembro, em 12.292 vagas, de acordo com o Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged) não aborta a trajetória de retomada do emprego no ano, avaliou há pouco o economista da LCA Consultores Cosmo Donato.

Para fazer tal afirmação, o especialista recorreu ao refinamento estatístico dos dados que, quando dessazonalizados, passam de 54,5 mil vagas abertas em outubro para 13,7 mil abertas em novembro. Para Donato, o número original do Caged reportando saldo líquido negativo em 12.292 reflete também as demissões usualmente promovidas pela indústria de empregados temporários em novembro.

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"Como as contratações de outubro foram muito acima do que o esperado, o que ocorreu em novembro foi um ajuste. Mas apesar da desaceleração, o diagnóstico de que o mercado de trabalho está sendo retomado não muda", disse o economista da LCA Consultores.

Para ele, se há algo nos dados de outubro que pode ser atribuído à reforma trabalhista seria a iniciativa de algumas empresas de demitirem seus funcionários para contratar dentro da nova vigência. "Mas isso ainda vai depender do parecer da Justiça", disse.

Outra forma de analisar os dados do emprego e do desemprego, de acordo com Donato, é pela média móvel trimestral dessazonalizada que, segundo os cálculos feitos pelo Departamento Econômico da LCA, saiu de um saldo negativo de 4 mil vagas em outubro para um saldo positivo em 7,5 mil postos em novembro.

Donato também comentou que não se pode descontar os números de empregos intermitentes do saldo líquido porque para o Caged o que importa é o vínculo. "Quando um trabalhador intermitente é contratado formalmente, o Caged reconhece o vínculo empregatício deste trabalhador", disse o economista.

O economista lembra que a contratação de intermitentes já acontecia na informalidade há muito tempo. "Por isso é que dizemos que a nova lei veio no sentido de regulamentar práticas já existentes e não de precarizar", disse. 

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