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Queda do consumo de energia foi generalizada

Os indicadores do consumo de energia em 2015 divulgados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram queda de 2,1% em relação a 2014, só não atingindo o comércio, que consumiu 0,6% mais. A indústria foi a principal responsável pelo resultado negativo, com recuo de 5,3% em relação a 2014, mas também as famílias reduziram expressivamente o consumo – no caso, bem mais do que sugere a queda de 0,7% apontada pela EPE.

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05 Fevereiro 2016 | 02h55

Houve enorme diferença entre essa queda do consumo geral e a queda por unidade residencial, de 3,2% – a mais acentuada desde 2002 –, o que se deve ao aumento do número de residências.

Decompondo os dados por áreas geográficas, nota-se que na Região Sul o consumo médio por residência diminuiu 6,8%, comparativamente a 2014; o da Região Sudeste declinou 4,3%; e o da Região Nordeste, 0,3%. O indicador teria sido pior não fosse o aumento no consumo de 0,2% na Região Centro-Oeste e de 2,3% na Região Norte. As maiores quedas ocorreram, portanto, nas regiões mais desenvolvidas.

A principal explicação para a queda do consumo doméstico está na alta substancial de tarifas, variável por área e que chegou a superar 70%. Em tempos de mais desemprego e queda da renda real, as famílias se impuseram um corte de consumo para permitir que as contas de luz caibam num orçamento mais apertado.

A recessão teve outra consequência sobre o mercado de energia: as famílias adquiriram menos eletrodomésticos, como geladeiras, liquidificadores, máquinas de lavar roupas, TVs e computadores.

O segmento energético é um dos que mais evidenciam a força do processo recessivo, pois historicamente, mesmo em períodos caracterizados pelo baixo ritmo de atividade econômica, o consumo de eletricidade cresce com o aumento da população e do número de novos lares.

Para as empresas de energia, o maior impacto decorre da demanda das indústrias, responsáveis por cerca da metade do consumo. A diminuição da atividade em segmentos como automotivo, siderúrgico e de máquinas e equipamentos, além do corte de investimentos na cadeia de produção de petróleo e gás, foram decisivos para os maus resultados, segundo o professor Nivalde de Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mas, ainda que as tarifas venham a se estabilizar neste ano – o que não é certo –, a recuperação do consumo deverá ser lenta.

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