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Queda do consumo mostra o malogro econômico

Em 2015, caiu 4% o consumo das famílias, que representou 63,4% do Produto Interno Bruto (PIB) ou R$ 3,74 trilhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recuo foi maior que o do PIB, que caiu 3,8%. Dada a importância relativa do indicador, a queda é reveladora da fragilidade da economia brasileira e do malogro das políticas oficiais voltadas para a ascensão social.

Reportagem do Estado (4/3, B4) mostrou que em 2015 o consumo das famílias caiu pela primeira vez desde 2003, no grau mais forte desde o início da série atual do PIB, iniciada em 1996. É também indicador do grau de deterioração do emprego e do salário real, afetando alguns mais do que outros: aposentados e pensionistas do INSS, por exemplo, tiveram seus rendimentos corrigidos por índices semelhantes aos da inflação, enquanto trabalhadores do setor privado foram mais atingidos, por não terem emprego e renda garantidos.

Motor da economia até 2014 e responsável por cerca de 10 milhões de empregos formais, o setor de comércio é o segmento que mais evidenciou a queda do consumo das famílias no ano passado.

O PIB do comércio teve queda de 12,6% entre os quartos trimestres de 2014 e 2015, segundo dados dessazonalizados (dados nominais mostraram queda de 8,9% nas vendas do varejo entre 2014 e 2015) e a situação tende a se agravar, prevê a Confederação Nacional do Comércio.

O consumo depende do crédito, que por sua vez depende da confiança do trabalhador. Mas faltam motivos para se ter confiança. A renda anual por habitante caiu 4,6% entre 2014 e 2015, para R$ 28.876,00. O crédito cresceu até 2013, mas depois começou a perder vigor e chegou a cair, em termos reais, em 2015. Como explicou Renato Meirelles, do Instituto Data Popular especializado em analisar o comportamento das classes C, D e E: “O brasileiro não vê luz no fim do túnel. Se as pessoas têm medo do futuro, elas não pegam crédito e não consomem”. A recuperação, acrescentou, tende a ser lenta.

Os dados do IBGE indicam que o ritmo de queda do consumo das famílias foi menos intenso no último trimestre (-1,3%) do que nos trimestres anteriores, mas não se espera uma recuperação rápida.

Não é só o consumo que está diminuindo. A taxa de poupança das famílias e das empresas declinou de 16,2% do PIB para apenas 14,4% do PIB, indicando a escassez de recursos para gastar.

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