Queda do dólar deve favorecer setor de energia

A queda na cotação do dólar vai influenciar positivamente o resultado do quarto trimestre das empresas de energia elétrica. Elas deverão apresentar lucros e reverter os prejuízos do trimestre anterior, reduzindo as perdas acumuladas no ano, provocadas pela alta do dólar e pelo racionamento. Essas empresas têm um elevado nível de endividamento em moeda americana, principalmente pelos gastos com a compra de energia de Itaipu. "Haverá lucro no trimestre e redução das perdas acumuladas", disse o analista da corretora Sudameris, Marcos Severine. No caso da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), por exemplo, a projeção é de um lucro de R$ 336 milhões neste trimestre, ante prejuízo de R$ 765,9 milhões no trimestre anterior. O prejuízo acumulado da empresa seria reduzido de R$ 1,39 bilhão em nove meses, para R$ 1,06 bilhão no ano. A estimativa leva em conta o dólar cotado em R$ 2,50. O exemplo da Cesp pode ser estendido também a outras empresas, como a Light e a Cemig. Severine explicou que o setor elétrico é o mais sensível à cotação do câmbio, já que as empresas têm boa parte dos custos e o endividamento atrelados à moeda americana. No que diz respeito à Light, a estimativa é que, caso não reverta no balanço os recursos projetados no terceiro trimestre com o Anexo V (contrato para compensação de perdas das distribuidoras), a companhia deverá apresentar lucro de R$ 212 milhões (ante prejuízo de R$ 332,6 milhões no trimestre anterior), com prejuízo caindo de R$ 753,8 milhões em nove meses para R$ 541 milhões no ano. O custo com a compra de energia cresceu significativamente neste ano porque a tarifa de Itaipu é atrelada ao dólar (US$ 18/MWH). No caso da Light, esse custo subiu de R$ 985,6 milhões nos nove primeiros meses do ano passado para R$ 1,456 bilhão. A alta foi provocada por Itaipu, onde a companhia compra 25% do total da energia. Investimentos No que diz respeito ao próximo ano, tanto Severine quanto o analista da Tendências Consultoria, Armando Franco, evitam ser otimistas. Para Severine, "o próximo ano deverá ser melhor para as empresas porque não haverá racionamento, mas é difícil fazer projeções porque o câmbio é imprevisível." Ele estima que, mesmo que o racionamento chegue ao fim, as empresas terão perda de 8% na demanda de energia em relação a 2000, já que a população aprendeu a fazer economia. Franco acredita que "2002 deverá ser um pouco melhor que este ano". Mas ainda que admita que o custo das empresas tenha sido reduzido com a queda do dólar, ele acha que as perdas já contabilizadas são de difícil recuperação.

Agencia Estado,

12 Dezembro 2001 | 10h36

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