Marcos Santos/USP Imagens
Marcos Santos/USP Imagens

Apesar de queda da Selic, bancos só reduziram juro em 1,15 ponto em um ano

Situação só deve mudar a partir de meados de 2018, avalia economista, de acordo com a recuperação econômica e menor interferência do cenário político

Ana Carolina Neira, O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2017 | 18h57

Enquanto a taxa de juros básica da economia, a Selic, acumula uma redução de 6,75 pontos porcentuais em um ano, o crédito oferecido pelos bancos praticamente andou de lado ao longo desse período. Enquanto em outubro do ano passado a Selic estava a 14,25%, as instituições emprestavam dinheiro na modalidade consignado privado a 45,05% ao ano, 3,06% ao mês. Agora que a taxa básica alcançou 7,50%, o financiamento médio nos bancos gira em torno de 43,9% ao ano, 3,0% ao mês.

Na avaliação do professor de Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Joelson Sampaio, essa demora na redução do crédito de balcão para o consumidor final é normal. Segundo ele, o tomador de crédito só vai começar a sentir o impacto da queda na Selic a partir do ano que vem. 

"Há uma demora normal de quatro ou seis meses. Apesar de este tempo já ter passado, ainda assim as instituições bancárias querem analisar o cenário político para evitar riscos", explica o especialista. "Tudo indica que o ciclo de cortes encerra-se hoje e que teremos mais estabilidade daqui para frente, na política e economia. Assim, o mercado fica mais confortável para repassar os valores aos clientes", diz.

++ Selic em queda: como melhorar a rentabilidade da sua renda fixa

Sampaio atenta para o fato de que o crédito concedido ao cliente não é composto apenas pela taxa Selic, considerando também outros fatores, como o índice de inadimplência. Segundos dados do  birô de crédito Boa Vista SCPC, esse indicador caiu 7,1% em setembro na comparação com agosto na série com ajuste sazonal. Ante o mesmo mês de 2016, o número caiu 12,1%. O órgão aponta que a crise econômica inibiu o consumo das famílias, causando inadimplência, situação que está sendo estabilizada.

O professor destaca que a situação é puxada, principalmente, pelo desemprego. "É natural que haja cautela na concessão de crédito, o que influencia as taxas praticadas pelos bancos."

Repasses. Por meio de sua assessoria de imprensa, o Itaú Unibanco afirmou que repassa o corte da Selic para o empréstimo pessoal e o consignado, além de analisar a concessão de acordo com fatores como perfil do cliente e capacidade de pagamento. 

De acordo com informações apuradas pelo Estadão/Broadcast, o Bradesco vai repassar o corte da taxa Selic nas suas principais linhas de crédito para pessoa física e jurídica.

Já o Banco do Brasil, em nota, afirmou apenas que suas taxas são influenciadas por análise de mercado e também outras variáveis além da Selic.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.