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Reação das commodities

Por enquanto, a natureza dos motivos do novo salto de preços ainda não é clara; Se baseia tanto na perspectiva de mudanças na política econômica da China quanto na expressiva redução dos estoques

Celso Ming

As cotações do minério de ferro, um dos principais produtos brasileiros de exportação, que haviam despencado até US$ 39 por tonelada, o nível registrado dia 11 de dezembro, o mais baixo em mais de dez anos, já saltaram de volta mais de 50% (veja o gráfico).

Se existir no fundo do poço do petróleo a tal mola de que falam com intimidade os analistas do setor, certamente não atua com a mesma força da que empurrou para cima os preços do minério de ferro. Mas também as cotações do petróleo recuperaram 38% depois de terem resvalado para abaixo dos US$ 30 por barril de 159 litros em janeiro deste ano.

Evolução dos preços das commodities
Evolução dos preços das commodities

Essa reação dos preços do minério de ferro serviu de senha para o mercado de outras commodities cujas cotações também avançaram, embora com menos intensidade, especialmente os metais. Ainda não se vê a mesma força nas commodities alimentares, como soja, trigo e milho, mas se os fundamentos estiverem corretos, efeito parecido ocorrerá também nesse segmento.

Por enquanto, a natureza dos motivos do novo salto de preços ainda não é clara. Ela se baseia tanto na perspectiva de mudanças importantes na política econômica da China quanto na expressiva redução dos estoques.

A novidade é a de que o governo da China passou sinais de que está agora mais interessado em garantir a retomada dos investimentos e de maior crescimento da economia do que em puxar pelo consumo interno. Essa mudança de tom pode ter acontecido porque as autoridades da China devem ter ficado preocupadas com a forte retirada de capitais de sua economia. Em apenas dois meses, as reservas da China recuaram quase US$ 130 bilhões, para US$ 3,2 trilhões.

A redução dos estoques, por sua vez, tem a ver com a redução da produção em todo o mundo, especialmente pelas unidades de maior custo de produção, como é o caso do óleo e do gás de xisto nos Estados Unidos.

A principal pergunta consiste em saber se essa recuperação de preços das commodities é firme ou se é apenas um soluço episódico que logo se esgotará e trará o mercado de volta à realidade.

O que se pode dizer é que essa nova virada da economia chinesa ainda parece mais uma intenção do governo da China do que um fato consumado. É preciso dar mais tempo para ver o que será e que força terá para reativar o consumo de matérias-primas. E tem o comportamento da economia no resto do mundo. Na Europa e no Japão, a principal preocupação é a relativa estagnação. Em 2016, não devem crescer mais do que 1,3% e 0,7%, respectivamente. Nos Estados Unidos, ainda que a atividade econômica também siga em marcha lenta, pelo menos há a perspectiva de que avance algo acima de 2%, o que não é pouco.

Em segundo lugar, o tombo dos preços das commodities e os estragos no setor foram tão grandes que, por toda parte, os agentes econômicos agirão com muito mais prudência na tarefa de recompor seus estoques e isso sugere que a demanda também crescerá mais devagar, se crescer.

Do ponto de vista do Brasil, esta reação das cotações internacionais das matérias-primas é evidentemente uma coisa boa, porque aumenta o mercado externo para os produtos básicos. Mas não deve servir para mascarar o fato de que o grande boom das commodities, que perdurou de 2004 a 2013, não voltará tão cedo ao que era. Daí porque não há outra saída senão ajustar a economia e a política econômica ao fato agora soberano de que o brasileiro não será tão afortunado e tão rico quanto julgara ser.

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