Reage o mercado de imóveis paulistano

Recuperação em curso se deve aos compradores do primeiro imóvel, em especial no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida; e aos que já acreditam na possibilidade de as residências voltarem a ser uma aplicação com possibilidades de retorno

O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2017 | 06h00

A comparação entre o número de imóveis vendidos em cada um dos primeiros oito meses dos últimos dez anos revela que o mercado de residências da capital ainda mostra comportamento débil, segundo o sindicato da habitação (Secovi-SP). Mesmo assim, não se deve ignorar a reação registrada entre 2016 e 2017, pois ela poderá se consolidar como tendência se a economia continuar se recuperando.

A Pesquisa Mensal do Mercado Imobiliário, do Secovi-SP, registrou crescimento das vendas de 73%, de 1.078 para 1.865 unidades, entre agosto de 2016 e agosto de 2017. Comparando julho e agosto deste ano, o avanço foi de 50,6% e, nos primeiros oito meses, a expansão das vendas na capital alcançou 20,8%, chegando ao total de 10.991 residências.

Tomando exclusivamente os períodos janeiro/agosto, o ano passado exibiu o pior resultado em dez anos. O segundo pior resultado do período janeiro/agosto numa década foi o deste ano. Mas os indicadores de vendas já se aproximam dos de igual período de 2014 (11,6 mil).

A recuperação em curso se deve aos compradores do primeiro imóvel, em especial no âmbito do programa de baixa renda Minha Casa, Minha Vida (MCMV); e aos que já acreditam na possibilidade de as residências voltarem a ser uma aplicação de capital com possibilidades de retorno, disse ao Estado o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci.

Cabe analisar melhor tanto a demanda das faixas de menor renda quanto a de investidores em imóveis. No primeiro caso, o governo federal tem evitado ao máximo restringir o crédito subsidiado à população de menor renda, que tem dado sustentação à atividade do setor. No segundo caso, já se esboça uma queda dos estoques na capital, hoje inferiores a 20 mil unidades, bem abaixo do pico (27 mil unidades). Isso revela que a procura supera a oferta, fenômeno que já começa a ter impacto no segmento de renda mais alta.

A retomada é mais fraca nas faixas típicas de classe média, pois parte dos bancos – o que não se aplica ao maior financiador, a Caixa Econômica Federal, que cortou linhas de crédito – tem recursos para emprestar e cobra juros menores, mas faltam mutuários para tomar empréstimos de longo prazo, por falta de segurança quanto ao emprego e à renda real. Menos inflação e juros e mais crescimento do PIB serão decisivos para fortalecer o setor.

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